Domingo, 31 de Agosto de 2025

Abinee diz que medidas mitigam prejuízos do tarifaço, mas é preciso urgência em acordos bilaterais

Na avaliação da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), as ações anunciadas pelo governo podem contribuir para mitigar os impactos das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre exportações industriais brasileiras. Mas o que a entidade defende é uma urgência nas negociações bilaterais para abertura de novos mercados para que o Brasil mantenha sua capacidade de competir em escala global e não perca participação em cadeias globais de valor, especialmente na área de infraestrutura energética e indústria.

O “Plano Brasil Soberano”, como é chamado pelo Governo Federal, inclui um crédito de R$ 30 bilhões a empresas atingidas pelas tarifas e permite que o governo compre produtos que não forem exportados para os EUA. A expectativa é que o plano atenda até 45% das empresas que vendem aos estadunidenses, sendo que parte dos exportadores brasileiros entraram na lista dos 694 produtos isentos, como celulose, aviões e suco de laranja.

Segundo a Abinee, o plano anunciado ainda aborda a atuação na frente externa para ampliar e diversificar mercados e cita as negociações já concluídas com União Europeia e EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), e outras em estágio de negociação como Emirados Árabes Unidos e Canadá.

Entre as medidas divulgadas, a Abinee destaca as alterações no Reintegra, o diferimento de tributos federais, e a prorrogação do Drawback, que estavam entre os pleitos feitos pela Associação ao governo federal. A entidade ressalta, entretanto, que estes mecanismos ainda precisam ser regulamentados e melhor analisados.

Abinee quer que governo retome o diálogo com os EUA
Ao mesmo tempo, a Abinee defende a manutenção do diálogo com os EUA, mantendo uma tradição diplomática de cerca de 200 anos, alicerçada no intercâmbio comercial e cultural, com resultados benéficos para o desenvolvimento econômico e social de ambas nações.

A associação lembra que alguns dos produtos afetados pelo tarifaço são fabricados sob encomenda para o mercado norte-americano, impossibilitando o redirecionamento a outros mercados. Dessa forma, se não houver um reposicionamento dos EUA ou inclusão desses itens na lista de exceção, essas encomendas serão supridas por concorrentes do Brasil.

No primeiro semestre deste ano, os EUA representaram 29% do total exportado pelo setor eletroeletrônico brasileiro, sendo o principal destino das vendas externas. A Abinee reforça que o fluxo de comércio entre os dois países é superavitário em favor dos norte-americanos. Nos primeiros seis meses de 2025, os negócios com os Estados Unidos registraram saldo negativo para o Brasil de US$ 1,3 bilhão, com exportações de US$ 1,1 bilhão e importações de US$ 2,4 bilhões.

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