Segunda-feira, 25 de Maio de 2026

ABC coletou 529 toneladas de lixo eletrônico este ano; saiba onde descartar

O ABC coletou, no primeiro trimestre de 2026, pelo menos 529,879 toneladas de lixo eletrônico. Santo André lidera com cerca de 528 toneladas, seguido por Ribeirão Pires, com 1,5 tonelada. Já São Caetano registrou 300 kg e Rio Grande da Serra, 79 kg. No mesmo período do ano passado, a região somou um pouco menos, 528.418 toneladas de lixo eletrônico.

Diadema não informou se realiza a coleta e afirmou que não oferece neste momento destinação específica para lixo eletrônico, o que contrasta com o restante da região. Em contrapartida outros municípios contam com pontos fixos de descarte e parcerias com cooperativas e empresas especializadas para o encaminhamento dos resíduos.

O lixo eletrônico é todo produto elétrico ou eletrônico descartado por estar quebrado, danificado ou obsoleto. Inclui computadores, celulares, pilhas e eletrodomésticos, que possuem materiais tóxicos, como chumbo e mercúrio, e exigem descarte adequado para evitar contaminação ambiental.

Questionadas, as prefeituras de São Bernardo e Mauá não responderam à equipe de reportagem até o fechamento da matéria.

Sem reciclagem, o risco ambiental permanece

Em entrevista ao RD, a bióloga e ambientalista Marta Marcondes, professora da Universidade Municipal de São Caetano do Sul e coordenadora do projeto IPH/USCS, explica que os equipamentos eletrônicos possuem componentes que, ao serem descartados de forma inadequada, podem contaminar o solo e a água. “Esses materiais têm metais pesados e outras substâncias tóxicas que podem atingir o lençol freático e afetar diretamente a saúde, com problemas respiratórios e doenças mais graves como o câncer”, explica.

A especialista alerta que apenas evitar o descarte irregular não é suficiente. “O ideal é que esse material seja reciclado. Quando vai para aterros ou lixões, mesmo que de forma controlada, esses componentes se incorporam ao ambiente e geram impactos”, afirma.

Nesse contexto, Marta destaca a importância da chamada Logística Reversa, prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos. O modelo prevê que fabricantes e comerciantes também sejam responsáveis pelo destino final dos produtos. “O consumidor deveria poder devolver o equipamento antigo no momento da compra de um novo, para que esses materiais sejam reaproveitados pelas empresas”, diz.

Outro ponto levantado pela ambientalista é o potencial de reaproveitamento dos materiais. Os componentes contêm elementos valiosos, como metais raros, que podem ser reutilizados na produção de novos equipamentos, o que reduz a necessidade de extração de recursos naturais. “Há exemplos internacionais, como nas Olimpíadas do Japão, em que parte do ouro, prata e bronze das medalhas veio de equipamentos eletrônicos reciclados”, cita.

Para a especialista, o avanço na gestão do lixo eletrônico depende de um conjunto de ações. “Não adianta apenas coletar. É necessário garantir a destinação correta, investir em tecnologia para reciclagem e envolver empresas, poder público e população nesse processo”, reforça.

Pontos de coleta

Os moradores de Rio Grande da Serra podem descartar lixo eletrônico de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na sede do Recicla Rio Grande, na rua Mercúrio, 156, na Vila Albano. O material é destinado a cooperativas e empresas recicladoras locais, enquanto os eletroeletrônicos seguem para a Green Eletron.

Em Santo André, o descarte está disponível em todas as Estações de Coleta e em 114 pontos de entrega voluntária espalhados pela cidade. Há ainda um ecoponto exclusivo para eletrônicos no Atrium Shopping, localizado na rua Giovanni Battista Pirelli, 155, na Vila Homero Thon. Os materiais seguem para cooperativas Reciclo e a Circulare.

Já São Caetano conta com pontos fixos de descarte na sede do Saesa (av. Fernando Simonsen, 303), no Parque Chico Mendes (avenida Fernando Simonsen, 566), no Parque Botânico Jânio da Silva Quadros (rua da Paz, 10) e em todas as Unidades Básicas de Saúde. Além disso, o Saesa conta com o serviço de cata-treco por meio de agendamento prévio. O material é retirado pela Abree (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos), responsável pela destinação.

Em Ribeirão Pires, o recolhimento ocorre por meio da coleta seletiva porta a porta, que pode ser solicitada por aplicativo, além do Drive-Thru do Lixo Eletrônico, realizado na última quarta-feira de cada mês no Paço Municipal. Todo o material é encaminhado à Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis de Ribeirão Pires (Cooperpires).

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