Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Light lança programa de combate a perdas de energia e inadimplência

 A Light lançou um programa de recuperação de perdas e inadimplência que visa envolver entes públicos e privados no debate de um problema que, na visão da empresa, não se restringe ao setor elétrico ou à concessionária. A ideia é envolver ministérios, parlamentares, reguladores e judiciário, além das empresas e especialistas do setor, na solução de um problema que é tratado pela companhia como multidisciplinar e que requer “visão holística”. 

 O chamado ProRio pretende solucionar o furto de energia e a inadimplência recorrente por meio de ações partindo do princípio de que tais problemas possuem múltiplas causas. 

 Segundo o presidente da Light, Alexandre Nogueira, um dos problemas da companhia para combater o furto de energia está na impossibilidade de acesso a determinadas áreas, muitas dominadas pelo crime organizado. 

 Para ele, que participa do lançamento do programa na sede da companhia, a questão envolve discussões mais profundas nos campos jurídico e regulatório.

 “Como ter uma concessão onde o poder público não garante o pleno direito [de acesso a áreas que hoje são consideradas de risco] ao concessionário?”, disse. 

 As perdas não técnicas, expressão do setor sobre o furto de energia, são o maior problema da empresa. O volume de energia desviada corresponde a dois terços da eletricidade faturada, de acordo com dados do balanço do segundo trimestre da Light (os resultados do terceiro trimestre serão divulgados em meados de novembro).

 Nogueira destacou que outro fator que contribui para o aumento do furto de energia e para a inadimplência é a modulação da tarifa social, subsídio das contas de luz para consumidores de baixa renda. 

 Em geral, a tarifa social está modulada para um consumo médio entre 130 quilowatts-hora por mês (kWh/mês) e 150 kWh/mês, o que se adequa ao bolso do consumidor mais economicamente vulnerável.

 Porém, Rio de Janeiro e Manaus, “não à toa, as duas cidades com a maior sensação térmica do país”, possuem um consumo médio de pessoas de baixa renda considerado elevado em relação ao restante do país. O executivo destacou que na favela da Maré, na zona Norte do Rio, o consumo médio da baixa renda é de 360 kWh/mês.

 Logo, avalia, o consumo médio da tarifa social não se adequa à Maré, o que abriria espaço para irregularidades.

 O ProRio nasceu na Light há um ano e meio, e parte do princípio de que a companhia é parte do “quebra-cabeça”. O furto de energia elevado foi uma das principais causas da recuperação judicial da companhia, iniciada no ano passado, que resultou na reestruturação de uma dívida da ordem de R$ 10 bilhões.

 Em paralelo, a empresa aguarda o desfecho do processo de renovação da concessão, cujo contrato encerra em 2026. As diretrizes foram lançadas em decreto pela União em setembro e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) lançou consulta pública para regulamentar o decreto.

 Felipe Tenório, superintendente de estratégia, conformidade e governança regulatória da Light, destacou a experiência de outros países que enfrentam o mesmo problema, como a Índia. 

 “Em diversos casos em outros países, como a Índia, irregulares querem se regularizar, mas não têm condições, o preço da energia não permite. A gente precisa buscar e criar soluções para que isso aconteça [a regularização de consumidores]. Se há desejo do exercício da cidadania, é possível”, disse Tenório. 

 

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