Nordeste amplia envio de energia renovável ao país, com entrada de 3 novas linhas de transmissão
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ampliou a capacidade de escoamento de energia renovável do Nordeste para o restante do país, com a entrada em operação de três linhas de transmissão e uma subestação de energia. Os ativos receberam autorização para iniciar operação na semana passada.
Segundo o ONS, as linhas vão permitir que o operador reduza as restrições de geração de eólicas e solares aos níveis verificados antes de um apagão ocorrido em agosto de 2023.
Também entrou em operação a subestação Pacatuba. Assim, o Nordeste, que concentra grande quantidade de usinas eólicas e solares, aumenta a capacidade de envio da energia que vinha sendo restringida desde o dia 15 de agosto, quando um apagão afetou 25 Estados e o Distrito Federal devido a falhas em equipamento numa linha localizada naquela região.
O corte de energia levou o ONS a adotar uma operação mais restrititva até a adoção de medidas que garantissem a confiabilidade do sistema, com isso limitou o envio de energia renovável do Nordeste para o restante do país. A prática é conhecida no setor elétrico pelas expressões em inglês “constrained off” e “curtailment”.
Segundo o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, os ativos permitiram ampliar em 12% o envio de energia do submercado Nordeste para o Sudeste/Centro-Oeste do país, ao aumentar a capacidade de 11.600 megawatts (MW) para 13 mil MW. Também amplia, em 30%, a exportação de energia do Nordeste para o Norte do país, passando de 4.800 MW para 6 mil MW.
Ainda neste mês entra em operação a linha de transmissão Olindina-Sapeuçu, também em 500 kV, que elevará a capacidade de escoamento do Nordeste para o Sudeste/Centro-Oeste de 13 mil para 13.800 MW. “Com isso, a necessidade de restrição vai diminuir”, disse Rea.
Os cortes da geração, reconheceu, não deixarão de ocorrer, diante da entrada em operação de novos projetos eólicos e solares. “É impossível zerar o corte”, acrescentou.
Primeiro leilão de baterias
Rea disse também que ONS, Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estão estudando cenários para antecipação do primeiro leilão de baterias do setor elétrico, inicialmente previsto para ocorrer entre 2028 e 2029. O modelo do certame ainda está sendo discutido internamente. As baterias são vistas como uma alternativa para escoamento da energia de eólicas e solares nos momentos de maior necessidade, como no horário de ponta, entre as 17h e as 20h.
Com o fim da radiação solar, no fim do dia, a geração solar fotovoltaica sai do sistema elétrico, o que resulta em cerca de 30 mil MW a menos no sistema. Além disso, o horário de pico é um momento de transição da energia eólica, pois os ventos tendem a ser mais fortes à noite. Para suprir essa oferta o ONS recorre a termelétricas e hidrelétricas, porém, em situações de escassez de chuvas, como a atual, o operador procura segurar o uso dos reservatórios, o que limita as opções.
Com o sistema de baterias, a energia das eólicas e solares pode ser armazenada para injetar na rede de transmissão quando necessário. No entanto, a realização do leilão de baterias depende da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regulamentar o tema.
A Aneel não respondeu até o fechamento desta edição. A agenda regulatória 2024-2025 da Aneel prevê para 2025 a realização de “adequações regulatórias” para inserir sistemas de armazenamento no sistema elétrico.
O diretor-geral do ONS destacou que ONS, EPE e MME estão conversando com a Aneel sobre a regulamentação e avalia que após a definição das regras e a realização do leilão, um projeto de armazenamento pode entrar em operação em até um ano após o certame. “É um avanço, melhoraria ainda mais a questão dos cortes [de energia das renováveis]”, disse Rea.
Pessoalmente, Rea avalia que a inclusão das baterias no setor elétrico poderia começar com uma oferta superior a 500 MW de armazenamento, para viabilizar a formação de mercado. Porém, a definição da demanda inicial está nas mãos do MME.
