Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Eletronet quer expandir pontos de presença e foca na conexão com data center

Após o processo de modernização de infraestrutura da empresa de rede neutra Eletronet, a companhia foca agora na expansão dos pontos de presença (PoPs), inclusive fora do Brasil. Em entrevista ao TELETIME, o CRO da marca, Cassio Lehmann, contou que as novas estratégias também envolvem a conexão a data centers.

“A expansão é muito pautada em dois pontos. O primeiro são as conexões em PIX [Internet exchange points] no Brasil. Quanto mais pontos estivermos conectados, mais conteúdo conseguiremos trazer e mais oportunidades temos para vender nossos produtos. Portanto, essa é uma prioridade para a Eletronet”, contou Lehmann.

Ainda dentro dessa linha, a empresa também quer ampliar a conexão com os centros de processamento de dados. Hoje, a Eletronet está conectada por nove centros de processamento de dados. Mas a meta é que esse número suba para 24 até 2025. “Cada data center que eu conecto também é um ponto onde eu posso buscar cliente, oferecer produto e buscar o conteúdo disponível ali”, afirmou Lehmann. 

Infraestrutura
Atualmente, a rede da Eletronet é composta por mais de 17 mil Km. O principal diferencial fica por conta da infraestrutura de cabos OPGW – mais resiliente, por estar ligado à rede de energia de alta tensão. “O cabo está numa torre de transmissão. Não está em um poste onde um caminhão pode bater ou enterrado na estrada, onde pode ser danificado com uma escavadeira. Ele está isolado da interferência do ser humano”, lembrou Cassio Lehmann.

O CRO também afirmou que as estratégias de expansão de ponto de presença estão muito mais ligadas à ampliação dos PIXs no Brasil e conexão aos data centers do que propriamente na expansão de rede.

No mês passado, a Eletronet concluiu a modernização do trecho Nordeste. Os antigos equipamentos Alcatel-Lucent, oriundos da fundação da empresa, foram todos trocados por equipamentos atualizados da Ciena. 

O chamado Anel 1 (que engloba “o miolo” São Paulo, Rio e Minas) é o próximo trecho a receber mudanças. Segundo Lehmann, essa parte não conta com equipamentos antigos, mas a Eletronet deve fazer ajustes nessa rede para aumentar a capacidade e acompanhar a demanda do mercado. 

Atuação internacional
A gerente de vendas da Eletronet,  Cintia Rufino, destacou que o caráter atrativo do mercado nacional. “Cada vez mais grupos de fora vem investir aqui no Brasil para comprar operações. Está acontecendo uma consolidação muito forte deste mercado, com empresas maiores  adquirindo provedores e ampliando suas redes”, disse ela. 

Observando esse interesse pelo Brasil, a companhia também busca se mostrar mais atrativa. “O Brasil é sempre desafiador para quem vem de fora”, afirmou Lehmann. Na estratégia de expansão da atuação internacional, a empresa inaugurou um PoP em Nova York. Há a previsão de um segundo ponto de presença em Miami, previsto para ser entregue até o final deste ano.

Mas a Eletronet também já está de olho na atuação além das Américas. “Acabei de voltar de um evento em Lisboa. Quem sabe, na próxima entrevista, eu te conto uma novidade… talvez resolvamos abrir um PoP na Europa também. Por enquanto, estamos apenas checando”, revelou Lehmann.

Competitividade
Para o CRO, o maior desafio da empresa é se manter competitiva em um mercado extremamente agressivo, especialmente entre os provedores de internet (ISPs), que têm atraído muitos investidores devido ao alto crescimento e demanda.

“O mercado de ISPs atrai muita gente. Ele é sedutor, cresce muito, tem muito dinheiro e o Brasil demanda muita capacidade de transmissão de dados”, disse Lehmann. Esse cenário atrai mais concorrência ao mercado, o que, segundo ele, tem resultado em queda expressiva nos preços – tornando o ambiente ainda mais competitivo. “Acontece muita oferta, muita demanda e o preço cai muito. É um mercado muito agressivo”, contou.

Apesar da constante queda nos preços, a Eletronet afirma conseguir manter o volume de vendas elevado, o que sustenta um panorama positivo para a empresa. Em 2016, a companhia tinha 105 funcionários. Hoje, conta com 125. “Com pouco incremento de gente, multiplicamos a receita em N vezes”, afirma Lehmann.

Para Cintia Rufino, há outro ponto que explica os bons resultados da Eletronet. “Nossos clientes são extremamente fidelizados. Eles nunca vêm para ficar apenas um período de contrato. Em geral, eles passam muito tempo aqui”, ressaltou. Segundo ela, essa característica tem sido essencial para manter a competitividade, mesmo em um ambiente onde “o preço do mega só cai”.

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