Justiça impõe prazo para Enel restabelecer energia elétrica em SP
Prazo de 24 horas começa a contar a partir de segundafeira, dia útil subsequente ao da publicação.
MAIORES CAUSAS DE QUEDAS DE ÁRVORES EM SP
A cidade de São Paulo tem pedidos de poda de árvore perto de fios abertos há quase dois anos e sem solução. Há um “jogo de empurra” entre Prefeitura e Enel, que dividem essa responsabilidade na capital.
São 6.081 pedidos de podas de árvore que necessitam da intervenção prévia da Enel, segundo a gestão municipal. Quase o dobro do ano passado, quando eram 3.690 pedidos em aberto em novembro. A Enel, por sua vez, diz que “estão em aberto e dentro do prazo acordado cerca de 1,8 mil solicitações, e apenas 130 em atraso”. A empresa afirma também que realiza “reuniões semanais com representantes do Município para acompanhar esse trabalho”.
A preocupação com a poda de árvores se tornou ainda mais urgente com o apagão que atinge a Grande São Paulo desde sexta-feira. Ontem ainda havia 2,3 mil imóveis sem energia. Desde sexta-feira, a Prefeitura registrou 386 ocorrências de queda de árvore na capital. Desse total, 49 precisariam da intervenção da Enel por terem atingido a fiação.
Ao todo, a capital paulista tem uma fila de 13,9 mil pedidos de poda ou remoção de árvores pendentes, segundo dados do primeiro semestre deste ano. No total, foram 46,7 mil solicitações registradas pelo telefone ou aplicativo do serviço 156, canal oficial da Prefeitura de São Paulo.
A concessionária afirma ainda que intensificou os mutirões de podas preventivas. “De janeiro a setembro, foram 433 mil podas, o que representa 72% da meta anual de 600 mil intervenções nos 24 municípios onde a companhia opera, incluindo a capital. Esse total é o dobro do número de podas realizado em 2023”, disse.
O Estadão apurou que entre os pedidos mais antigos há três em Pinheiros, na zona oeste, e um no Campo Limpo, na zona sul. Documentos com fotos mostram árvores em contato direto com a rede elétrica. Na Rua Dois, na Cidade Auxiliadora, as imagens mostram os fios entre os galhos. Esse pedido aguarda retorno há 708 dias, praticamente dois anos.
DE QUEM É O PROBLEMA? A poda de árvores é responsabilidade dividida na cidade de São Paulo. Embora seja, em princípio, atribuição da Prefeitura, a Enel tem responsabilidade sobre o manejo da vegetação que interfira diretamente no sistema, quando os galhos estão próximos ou tocando a fiação, conforme o contrato de concessão. “Essa é uma questão mal resolvida na cidade”, afirma Valter Caldana, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Temos a obrigação primária da Prefeitura. Mas a Enel tem a autorização da Prefeitura para fazer a poda. A empresa entende que quem tem de tirar restos de árvores é o poder municipal. Por sua vez, a Prefeitura acredita que a empresa tem de desligar os fios e garantir a segurança dos trabalhadores.”
E ONDE CAEM AS ÁRVORES.
Com base em um conjunto de dados compilados pela Prefeitura de 2013 e 2021, uma equipe de pesquisadores da USP e da Unifesp fez uso de inteligência artificial para interpretar os padrões de queda de árvores. O objetivo era identificar os locais mais críticos. Uma das descobertas foi que as árvores do Município caem com maior frequência dentro de “cânions urbanos”, áreas mais verticalizadas, em que prédios altos formam um paredão.
A análise também constatou que, nesse período, bairros mais antigos concentraram a maior quantidade de queda de árvores, seja pelo envelhecimento e apodrecimento delas, que necessitariam ser substituídas, seja por terem acumulado ao longo do tempo mais intervenções no subsolo que prejudicam as raízes, como obras de infraestrutura. •
COLABOROU JULIANA DOMINGOS DE LIMA
Em aberto há quase 2 anos Na Cidade Auxiliadora, imagens mostram fios entre galhos; pedido espera retorno há 708 dias
