O contrato da Enel
Ontem, seis dias depois do vendaval de sexta-feira, ainda havia cerca de 100 mil imóveis sem energia em São Paulo e, pior, sem previsão de retorno do serviço. Por causa do apagão, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, teve de voltar às pressas de Roma, na Itália, onde participou de um fórum no qual, inclusive, falou sobre a possível renovação da concessão da Enel. Mas, com cara de poucos amigos, descobriu que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) permitiu, por meio de uma nota técnica de 2023, que a Enel descumpra as regras de apagão previstas em contrato para até 2,2 milhões de clientes em São Paulo – e, portanto, não haveria nada de anormal na conduta da Enel. Agora, tanto Silveira quanto Lula estão com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança. E está explicado, também, por que grande parte das
multas aplicadas pelo Procon de São Paulo à empresa desde 2019 (da ordem de R$ 65 milhões) ainda não foi paga, já que a Enel considera estar dentro das quatro linhas do contrato. Júlio Roberto Ayres Brisola
São Paulo
