Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Na Surf Telecom, presença nacional e parcerias impulsionam rede móvel

Mesmo com a disputa na Justiça pelo seu controle societário junto à Plintron, a Surf Telecom tem avançado nos negócios dentro do mercado móvel. A aposta para incrementar a base de usuários é na relação estreita junto aos provedores de banda larga e na presença em todos os estados do País, relata o fundador e CEO da Surf, Yon Moreira, em entrevista ao TELETIME.

No total, a empresa soma 1,34 milhão de clientes móveis. No início de outubro, a operadora móvel virtual (MVNO) comemorou um crescimento de novas assinaturas no pré-pago ao longo de 2024, o que a posicionou como a quarta maior do segmento no Brasil, atrás apenas de Claro, Vivo e TIM. São 580 mil somente no pré-pago, sendo 143 mil acessos adicionados este ano. 

Para chegar ao usuário, o modelo B2B2C da Surf tem mais de 150 parceiros na banda larga. “A nossa estratégia é o complemento da oferta desses provedores, já que eles possuem uma relação de proximidade com o consumidor. Esses provedores estão muito bem espalhados pelo Brasil e os clientes deles também querem ter um celular. Essa maneira rápida e responsável de entregar bons produtos faz com a operação se torne simples”, afirma Moreira.

Nessa engrenagem, explica o executivo, a margem das parcerias não chega a ser tão alta, variando entre 10% a 15%. Mas a atenção sobre possibilidade de retenção do cliente e diminuição do churn fazem com que o movimento seja importante para esses players. “Ele [provedor] não perde o cliente e deixa de ter um problema a mais”, diz.

Além disso, o executivo ressalta a presença da MVNO e o seu modelo white-label em todas as unidades da federação e nas mais de 5,5 mil cidades como outro aspecto importante do modelo de negócios. “Se você olhar para Cruzeiro do Sul (AC), Piripiri (PI) ou Tauá (CE), nós temos presença nesses municípios. Com exceção das três grandes, apenas nós estamos nesses lugares [mais afastados].” 

Em uma estratégia em que os provedores são importantes para o negócio, o intenso movimento de consolidação dos ISPs não deve afetar a MVNO, afirma o CEO.

O executivo explica que a atuação conjunta ocorre tanto junto a grandes ISPs, a exemplo da Desktop no Estado de São Paulo, como com os pequenos, que alcançam municípios ainda mais afastados. “Nós criamos um modelo de negócio em que quebramos a barreira de entrada dos pequenos. Permitimos que aqueles que tratam bem seus clientes sejam bem-vindos”, frisa ele.

Já respeito da disputa acionária com a Plintron, a empresa afirmou ao TELETIME que preferia não comentar questões societárias.

Pós-pago
O pós-pago é outro segmento que está na mira da Surf. Até agosto, os cerca de 763 mil acessos da empresa na vertical respondiam pela maior parte da base. No ano, foram agregados 118 mil novos clientes. Os números incluem acessos pós “humanos” (120 mil) e M2M (643 mil).

Atualmente, a MVNO é a quarta maior entre as empresas no pós em 15 das 27 unidades federativas no Brasil e a sétima na lista geral, sendo superada por Algar, Datora e NLT, além das incumbentes.

“O Nordeste e o Norte têm sido muito favorecidos na nossa estratégia na área do pós-pago com os provedores regionais. É lá que a gente tem conseguido um resultado maior também”, afirma Moreira, frisando que o crescimento é maior nessas regiões.

Já especificamente no M2M (máquina a máquina), o avanço das Internet das Coisas (IoT) faz a área ser considerada promissora pela provedora, com o atendimento aos mais diversos setores, desde distribuidoras de energia e gás à healthtechs. Hoje, a vertical tem cerca de 643 mil acessos na Surf.

A respeito do desligamento das redes 2G e 3G e a mudança para o 4G, Moreira ressalta que a transição “é parte da evolução tecnológica”. Um dos aspectos é a própria vida útil dos aparelhos que permitem o acesso a essas redes, considerada curta.

“Essa troca tem que ser feita, mas de maneira cuidadosa. Não dá para usar uma frequência muito boa, como a de 700 MHz, para o 2G”, afirma. Hoje, a Surf Telecom possui cerca de 30 blocos secundários para a faixa de 700 MHz. 

Telefonia fixa 
Por outro lado, o entendimento é que mesmo com a redução na quantidade de acessos no País, a telefonia fixa ainda possui características importantes. Ele entende que o serviço continuará sendo utilizado em chamadas massivas ou de emergência, como em bancos e hospitais ou em órgãos como a polícia ou corpo de bombeiros, por exemplo.

Por outro lado, o conceito separação entre serviços fixo e móvel nas residências deve chegar ao fim entre as teles. “O que você vai ter são acessos com maior nível de confiabilidade, tanto é que as operadoras já inserem o fixo dentro do acesso da fibra nas residências.”

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