Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Promessa da Enel de contratação de pessoal é posta em xeque

 A repetição de um prolongado apagão em bairros da capital paulista e região metropolitana recoloca sob escrutínio o contingente de profissionais que a Enel dispõem para atuar em situações de emergência. O temporal de sexta-feira (11) é o segundo em menos de um ano a provocar falta de energia generalizada em São Paulo. Em novembro de 2023, uma tempestade derrubou o fornecimento de energia em 4,2 milhões de domicílios. 

 Pressionado a dar repostas, o presidente da concessionária, Guilherme Lencastre, repetiu neste domingo (13) que a companhia deve contratar 1.200 eletricistas próprios. O número já aparecia no planejamento da empresa anunciado no pós-crise de 2023, com prazo para ser concluído até março de 2025. 

 A Enel afirma ter acrescentado 410 eletricistas próprios ao seu quadro de profissionais entre novembro de 2023 e outubro de 2024, passando de 1.688 para 2.098 – 34% do total prometido. 

 Relatórios administrativos da concessionária mostram que o número de trabalhadores próprios da companhia cresceu em 127, passando de 3.912 para 4.039, entre o segundo trimestre do ano passado e o deste ano. 

 No mesmo intervalo, 872 funcionários terceirizados foram agregados aos quadros da empresa, passando de 11.700 para 12.572. Na soma de próprios e terceirizados, a força de trabalho da companhia evoluiu de 15.612 para 16.611. São 999 trabalhadores a mais (alta geral de 6,4%). 

 O Sindicato dos Eletricitários do Estado de São Paulo reclama que a empresa segue demitindo e que já desligou 227 profissionais próprios. A Enel argumenta que faz adequações ao seu quadro de funcionários, mas reforça que o saldo entre contrações e demissões é positivo. 

 Quando comparados ao contingente de eletricistas próprios da concessionária, o grupo composto por empregados contratados por prestadoras de serviço tende a ser menos experiente, segundo o presidente do Sindicato do Eletricitário de São Paulo, Eduardo Annunciato. 

 “A empresa terceirizada costuma manter 20% de empregados antigos, com bastante experiência, para ter a memória técnica, e com o restante fazem uma rotação, há troca de pessoas o tempo todo”, afirma Annunciato. 

 Entre as diversas críticas que fez à Enel nos últimos dias, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou ter colocado reiteradamente à concessionária a “necessidade de primarização da mão de obra”. 

 No domingo (13), o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa Neto, afirmou que a resposta dada pela empresa diante do apagão foi abaixo da adequada porque, entre outras coisas, demorou para chegar aos 2.500 agentes em campo para restabelecer o serviço, número previsto no plano de contingência apresentado pela empresa. 

 Desde que assumiu a concessão em São Paulo, a Enel enxugou sua folha de pagamentos. Informação prestada pela concessionária ao Ministério Público aponta para a demissão de 3.900 funcionários de 2019 a 2023 – 42% desse pessoal estava alocado na área de infraestrutura e rede. 

 Em nota, a Enel São Paulo reforçou não ter reduzido a força de trabalho que atua em campo e que tem aumentado o seu quadro de eletricistas próprios. 

 Como parte do plano de ação em curso, a distribuidora reafirmou que está incorporando cerca de 1.200 novos profissionais até março de 2025 para a operação em São Paulo, dobrando o número de colaboradores próprios para atuação em campo. 

 A concessionária não comentou sobre as questões relacionadas à terceirização. 

 

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