Mercado de SMS deve perder 28% de receita global até 2029
A Juniper Research prevê uma queda de 20% no tráfego global de SMS, de 5,2 trilhões de mensagens em 2024 para 4,1 trilhões em 2029. Em valor de mercado, o recuo significa uma diminuição de 28% na receita global do SMS, de US$ 66 bilhões para US$ 47 bilhões em cinco anos.
Ou seja, o market share do SMS no mercado mundial de mensageria passará de 45% em 2024 para 32% em 2029, uma queda de 13 pontos percentuais em cinco anos. Esse movimento ocorre por uma série de fatores, como:
Busca por alternativas mais baratas no mercado de mensageria;
Aumento das taxas (terminations fees, no original em inglês) de envio de mensagens no SMS;
Incremento nas fraudes em SMS, em especial aquelas que inflam o tráfego artificialmente (AIT Fraud, no original em inglês);
Avanço de canais como RCS e plataformas de comunicação baseadas em APIs;
Troca do SMS como forma de segurança (dois fatores de autenticação e senha única) por biometrias, sendo que as soluções de segurança lideram o tráfego no SMS.
Considerando dados do mercado de mensageria em 60 países, a empresa de análise de mercado acredita que o SMS deve continuar relevante no setor, ao lado do RCS e OTTs de mensageria (como WhatsApp). Mas é crucial para os players que ofertam o SMS terem em mente:
A redução de fraude por meio de um trabalho em conjunto com fornecedores de firewall de SMS e reguladores para mitigar o comportamento fraudulento;
A utilização de melhoria na infraestrutura de SMS com soluções baseadas em nuvem e APIs pelas operadoras, com foco na escalabilidade e redução de custos do A2P;
Do mesmo modo, os fornecedores de soluções de mensageria devem parar de oferecer pacotes e começar a ofertar o SMS no modelo ‘pague conforme o uso’ (Pay As You Go ou PAYG, no original em inglês), de modo que os clientes que usam este canal tenham melhor gerenciamento no envio de SMS e impacto do custo total.
RCS, OTTs e outros canais de mensageria
A Juniper prevê ainda um crescimento de 1.080% no tráfego de mensagens RCS em cinco anos, de 83,5 bilhões em 2024 para 986 bilhões em 2029. Esse movimento deve ser impulsionado pela entrada do RCS no ecossistema da Apple a partir da atualização do iOS 18 que deve quadruplicar (282%) o seu tráfego entre 2024 e 2025.
Por sua vez, os OTTs devem responder por 113 bilhões de mensagens enviadas em 2024, ou seja, 60% do tráfego global de mensageria no ano, que é 189 trilhões de mensagens. O e-mail tem 29% desse mesmo tráfego, o equivalente a 53 trilhões de mensagens.
A empresa de análise de mercado vê OTTs e RCS como canais disruptivos no futuro do mercado de mensageria, ao entregar o conteúdo mais rico e melhorias de segurança. Mas afirma que os provedores de soluções devem garantir:
Prevenção de fraude com padronização do RCS;
Verificação interoperável entre OTTs;
Preço competitivo do RCS ante o SMS, de modo que coexista e não seja canibalizado pelos OTTs, assim como ocorreu o SMS conviveu com WhatsApp e outros canais.
Fecham a lista de meios em mensageria, as redes sociais com 17 trilhões de mensagens (9%) em um consumo liderado pelas novas gerações (Z, principalmente) e o MMS com 579 bilhões (1,11%) até o final de 2024.
Por regiões
O extremo oriente e a China vão liderar o tráfego global de mensageria em 2024 com 36% do total, o equivalente a 67,5 trilhões. A região do subcontinente indiano responderá por 15% do todo, 28,35 trilhões. Nos dois locais, o consumo de mensagens ocorre pelo aumento da penetração de smartphones na população e pelo recuo dos features phones.
Europa Central e leste europeu responderão por 5% das mensagens (9,5 trilhões) por conta do crescimento dos OTTs em 2024.
Vale dizer que, até 2029, a queda do SMS será mais acentuada no extremo oriente e China (42%) pelo apoio do governo e operadoras para o RCS. Mas o crescimento do RCS será mais forte na Europa Ocidental (2.141%) devido a alta penetração do iPhone neste mercado.
A Juniper reforça que não haverá substituição de plataformas no mercado global de mensageria, mas haverá uma coexistência e uso das plataformas de mensageria de forma omnichannel para atender o melhor momento dos consumidores.
