Dois dias após temporal, 780 mil casas ainda estão sem energia em São Paulo
Dois dias após o temporal que causou um apagão afetando 2,1 milhões de pontos de ligação de eletricidade em São Paulo, 780 mil clientes seguem sem energia.
Segundo a Enel, concessionária que presta o serviço de distribuição na região metropolitana, desse número, 469 mil casas são na capital, sobretudo nos barros mais afetados da capital são Jabaquara, Campo Limpo, Pedreira e Jardim São Luís, todos na zona sul.
Em relação aos sinais de trânsito apagados na capital, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que, até as 17h deste domingo (13), 165 semáforos ainda estavam fora de operação, sendo 160 por falta de energia ainda não reestabelecida e 5 por falha nos equipamentos.
Nos municípios da Grande São Paulo, aqueles com mais clientes ainda sem luz são Cotia (62 mil), São Bernardo (47 mil) e Taboão da Serra (44 mil). Imóveis nesses locais já completam 43 horas sem energia.
A empresa, já notificada pelo Procon estadual por causa da demora, afirma que está com dificuldades por causa da extensão dos danos, causados sobretudo por árvores e postes derrubados pelo vento.
“A Enel Distribuição São Paulo reforçou suas equipes em campo, deslocou técnicos do Rio e do Ceará e está recebendo apoio de outros grupos de distribuição”, disse a empresa em comunicado nesta tarde.
A concessionária afirma que nas áreas ainda desassistidas o trabalho “é mais complexo, pois envolve a reconstrução de trechos inteiros da rede”.
Um dos lugares mais afetados pelo apagão foi Taboão da Serra, onde houve pontos de alagamento além de apagões. A Defesa Civil do Estado afirma que enviou dois caminhões ao município com materiais de ajuda humanitária, incluindo cestas básicas, kits dormitório e produtos de higiene e limpeza.
Alguns hospitais da região enfrentam dificuldades devido à falta de energia e deverão receber da Defesa Civil combustível para gerador.
Confronto judicial
A Enel diz que está trabalhando com 1.600 técnicos em campo para restabelecer a energia em São Paulo e tinha prometido mobilizar cerca de 2.500 mil profissionais.
A empresa tem até segunda-feira à tarde para responder aos pedidos de esclarecimento do Procon, conforme previsto em lei. Sobre a movimentação de efetivo da Enel de um estado para outro, o órgão de defesa do consumidor afirma que quer dados sobre “qual é a estrutura de pessoal de prontidão para atuar em emergências, considerando que os eventos climáticos extremos tinham sido alertados pelos serviços de meteorologia há alguns dias”.
A empresa está na mira do Procon, do Ministério Público (MP) e da Defensoria Pública do estado desde novembro do ano passado, quando outra tempestade deixou milhões de pessoas sem luz na cidade. Esses órgãos ajuizaram uma ação civil pública em dezembro.
“Na ação, houve pedidos para a melhoria no serviço prestado à população e para o pagamento de indenizações às pessoas prejudicadas com as constantes interrupções no fornecimento de energia ao longo dos últimos anos, inclusive aos consumidores que ficaram sem o serviço no período de 03 a 13 de novembro de 2023 e em outros momentos de 2024”, afirma o MP, que ainda disputa o caso na justiça.
“As instituições ressaltam que, na ação, já pleitearam melhorias no fornecimento de energia elétrica e esperam que o provimento jurisdicional seja favorável aos consumidores”, diz o MP.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que multou a Enel pelo atendimento deficitário em novembro do ano passado, convocou uma reunião para esta noite com a empresa e com o diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, para entender melhor a situação.
