Resposta a blecaute foi insuficiente, diz Aneel
Após reunião com distribuidoras e geradoras de energia, órgãos reguladores avaliaram que a resposta da Enel ao blecaute que afetou milhões de pessoas em São Paulo ficou aquém do esperado e a companhia não tinha o número de profissionais necessário para lidar com uma crise dessa magnitude.
O encontro ocorreu na capital paulista, com a participação de empresas de energia e representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp).
Segundo a Arsesp, o plano de contingência estabelecido pela Enel previa um contingente de 2.500 pessoas para fazer frente a eventos como o apagão do fim de semana. No entanto, passadas 48 horas do blecaute, havia 1.800 profissionais trabalhando.
A Enel informou que não tem previsão para restabelecer o serviço para todos os consumidores. A empresa informou que alcançará o número de 2.500 técnicos nesta segunda-feira. O reforço inclui equipes da empresa que estão vindo de outro estados, mais 400 funcionários que estão sendo cedidos por outras companhias que atendem São Paulo.
“Foi quase um furacão o que tivemos em nossa área de concessão”, disse Guilherme Lencastre, presidente da Enel.
Após a reunião, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou que a resposta da empresa ficou abaixo do esperado. “Preocupa o fato de haver um outro evento climático extremo em menos de um ano e o fato de o atendimento não estar no nível que se espera sa empresa”, disse o diretor, em referência ao apagão que deixou São Paulo no escuro em novembro do ano passado.
Nesta segunda-feira, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, se reunirá com a Aneel em São Paulo. Ele cobrou da agência um plano de contingência. O órgão regulador, por sua vez, afirmou que já está tomando as providências para lidar com a crise e que notificará a empresa para que se manifeste num processo que pode levar ao rompimento do contrato.
Silveira enviou ofício para o diretor-geral da Aneel para marcar a reunião presencial em São Paulo, onde ele estará pessoalmente “por determinação do presidente Lula”. No documento, enviado para solicitar “providências com relação ao histórico de falhas e transgressões da concessionária Enel SP”, Silveira afirma que não aceitará “qualquer omissão” da agência reguladora, lembra que pediu em abril a abertura de processo administrativo e cobra um plano de emergência para “imediata resolução” do problema.
Já a Aneel respondeu, em outro ofício, que a Enel SP foi multada em R$ 320 milhões por falhas na prestação do serviço nos últimos anos e que a empresa será intimada para que explique os fatos que levaram ao apagão.
Diante das críticas de políticos à suposta falta de ação da Aneel, o diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa Neto, disse ao Valor que as equipes de fiscais já atuaram no dia seguinte ao apagão e que a agência mobilizou recursos de outras concessões para apoiar na área afetada. “A agência não ficou parada, nunca. A agência atuou desde o primeiro momento, aplicou multa recorde no setor, em tempo também recorde”, afirmou.
A agência vem sendo cobrada tanto por integrantes do governo federal como do Estado e da Prefeitura de São Paulo.
