Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Irmãos Batista se recusam a assumir Amazonas Energia sem aval da Aneel

Os irmãos Joesley e Wesley Batista se recusaram a assumir a Amazonas Energia sem um respaldo técnico da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pediram uma reunião extraordinária do órgão para hoje, último dia de validade da medida provisória (MP) que beneficiou o negócio da dupla no setor.

O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, autorizou a venda da distribuidora para a Âmbar, empresa do grupo J&F, que pertence aos irmãos Batista, após a Justiça Federal do Amazonas obrigar a realização da transferência. A empresa, porém, quer uma aprovação técnica e administrativa da Aneel para não ficar só “pendurada” na decisão judicial. A operação terá um custo de R$ 14 bilhões para consumidores de energia de luz todo o País, se for aprovada.

Na terça-feira, a diretoria da Aneel iria analisar o processo administrativamente, mas o relator, Fernando Mosna, retirou o caso da pauta, também monocraticamente. Mosna se baseou no regimento da agência e apontou perda de objeto para o caso diante do despacho dado pelo diretor-geral. A Âmbar foi surpreendida pela decisão e informou que irá recorrer.

“A excelência na prestação de serviços para o consumidor de energia é uma premissa fundamental da Âmbar para assumir a Amazonas Energia. Essas condições só podem ser atingidas caso a Aneel garanta as seguranças jurídica e econômica necessárias, por meio da aprovação do plano de transferência de controle apresentado pela Âmbar”, disse a companhia em nota. “Sem isso, a empresa abrirá mão de seu direito de concretizar o negócio.”

Em decisões anteriores, técnicos e diretores da Aneel exigiram um plano com custo menor para o consumidor, de R$ 8 bilhões, mas a companhia não concordou. Em meio ao impasse, a Amazonas Energia foi à Justiça e conseguiu a decisão. A agência reguladora recorreu da determinação e o processo ainda está em andamento. Na terça, o diretor-geral da Aneel afirmou que, se a decisão judicial cair, o contrato será anulado nas condições atuais.

O governo Lula beneficiou os irmãos Batista com uma medida provisória 72 horas após a Âmbar comprar usinas termoelétricas que pertenciam à Eletrobras e que vendem energia para a Amazonas. A distribuidora, porém, acumula dívidas. A MP do governo banca esse prejuízo com a conta de luz. Além disso, repassa o custo da distribuição para todos os consumidores de energia durante 15 anos. Com a benesse, a Âmbar não só comprou as usinas como fez uma proposta para assumir a Amazonas.

O impasse agora é maior porque a MP tem validade até hoje. Vencido o prazo, o negócio não pode ser feito com as benesses dadas pelo Poder Executivo.

Se a empresa não for vendida, o governo federal estuda a possibilidade de uma intervenção na operação da Amazonas Energia. “A aprovação do plano pela Aneel é a melhor alternativa para evitar custos de até R$ 20 bilhões para os contribuintes e garantir a segurança energética da população amazonense”, disse a empresa dos irmãos Batista.

PROBLEMAS. A Amazonas Energia enfrenta uma série de problemas no Estado, como furto de energia (o chamado “gato”), custos operacionais que não se pagam e inadimplência.

Há ainda uma dívida que supera R$ 11 bilhões. A Aneel exigia que a empresa pagasse as dívidas e se comprometesse com metas maiores para resolver os problemas mais rapidamente, diminuindo seus custos ao longo do tempo, o que não ocorreu. A Âmbar se comprometeu a pagar R$ 8,5 bilhões ainda em 2024, para reduzir a dívida.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pressionou a Aneel para realizar a transferência. O chefe da pasta acusou a agência de boicotar o governo Lula – os quatro diretores da Aneel foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). •

“A aprovação do plano pela Aneel é a melhor alternativa para evitar custos de até R$ 20 bilhões para os contribuintes e garantir a segurança energética da população amazonense” Âmbar, em nota.

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