Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

De olho em telecom, Intel fecha parceiras para edge computing e IA

Durante a Futurecom 2024, a Intel anunciou novas tecnologias e uma série de parcerias com TIM, Dell, American Tower e Nokia para implementar soluções de edge computing, Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT) e conectividade na cadeia de telecom.

Um dos focos é a chamada computação na borda, projetada por propiciar menor latência e melhor desempenho e pela proximidade com o usuário final.

Em uma das frentes, a fabricante de chips semicondutores firmou um acordo para que a American Tower forneça sua infraestrutura e apoie estudos de viabilidade técnica envolvendo IA, IoT, realidade aumentada e edge computing para a implementação dessas tecnologias avançadas em torres. A Intel será a responsável pelo apoio técnico na implementação dos projetos.

Segundo o diretor de novos produtos da American Tower, Janilson Bezerra Junior, o objetivo é ter uma infraestrutura de comunicação distribuída por meio de torres para apoiar a implementação de edge data centers. Assim, essa estrutura poderá suportar a demanda elevada por dados de redes 5G e computação em nuvem. 

“O 5G vive um dilema da latência, em que é necessário reduzi-la para habilitar novas aplicações. Combinada com outras aplicações, como IoT, a tecnologia precisa estar na borda do cliente, e isso a gente entende que são as antenas”, diz Bezerra.

Por meio desse ecossistema, as companhias querem aproveitar as mais de 22 mil torres da American Tower instaladas no Brasil para fornecer os serviços. A parceria também deve contribuir para levar cobertura de rede em áreas mais afastadas, frisa o especialista em telecomunicações da Intel Brasil, Roberto Corrêa. “É óbvio que vamos fornecer para os grandes centros, mas entendemos as oportunidades que estão aí [nas regiões remotas).” 

Nokia
Além disso, a Intel anunciou, em versão comercial por meio de parceria com a Nokia, o Infrastructure Power Manager (IPM), um software de referência para Core 4G e 5G que otimiza o consumo de energia em CPUs e promete manter o desempenho de redes móveis.

De acordo com as companhias, ao aliar diferentes técnicas com a tecnologia do Xeon 6, os novos processadores da Intel, a economia de energia varia entre 35% a 40%. “Quando a gente pensa na rede e na redundância, apenas 35% da capacidade de rede está sendo utilizada”, afirma Diovane Massoqueto, diretor sênior de vendas da Nokia.

A expectativa é ter a tecnologia disponível no mercado até o final de 2024. Para as operadoras, os custos devem depender dos contratos firmados com a Intel.

TIM
Já no caso da TIM, foram iniciados testes para para integrar 5G, uso de eSIM e Unidades de Processamento Neural (NPUs, na sigla em inglês) em notebooks. Em outras palavras, a solução visa levar conectividade de redes móveis aos equipamentos que contam com processadores da Intel, dispensando o uso do Wi-Fi. 

“Os testes básicos de conectividade, de compatibilidade com a nossa rede e com a nossa solução de eSIM nós já fizemos e funcionaram bem. Agora, estamos tentando entender um pouco melhor as aplicações, como seria o serviço e, logicamente, como melhorar a experiência do usuário neste ciclo”, disse o diretor de tecnologia e inovação da TIM, Átila Xavier, em entrevista exclusiva ao TELETIME.

Os testes para a aplicação começaram há um mês e meio. Uma segunda etapa será firmar acordos com os diferentes players da cadeia de tecnologia, como os fabricantes de notebooks, os fornecedores de aplicações e de software.

Servidores
Durante o primeiro dia da Futurecom, a Intel ainda apresentou os seus novos processadores Xeon 6. Segundo a companhia, os dispositivos entregam até 4,2 vezes mais desempenho em tarefas de transcoding e 2,7 vezes mais desempenho por watt em cargas de trabalho de Core 5G.

Esses processadores são usados nos servidores PowerEdge 17G, produzidos pela Dell. Segundo o especialista em infraestrutura de telecom da Dell, Erick Krauss Santos, a solução foi criada a partir de novas patentes e tem capacidade para gerar o resfriamento de data centers ou edge computing, com até 52% de economia de energia. 

O executivo afirma que os servidores XR8000 têm capacidade para trabalhar em temperaturas extremas, entre -20°C e +55°C. “O objetivo é rodar na borda para otimizar o tráfego das operadoras, os serviços de Internet e TV a cabo e também em aplicações de edge computing. A curto e médio prazo, também existe demanda para Inteligência Artificial”, diz Santos.

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