Pequeno consumidor pode levar mercado livre a R$ 120 bi em 2040
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Rede social e finanças são assuntos nos principais jornais brasileiros nesta quarta-feira (09). Abrindo o quadro, O Estado de S. Paulo informa que X é desbloqueado no Brasil após Musk acatar decisões de Moraes; Valor Econômico afirma que risco fiscal e alta da Selic fazem juro real de mercado se aproximar de 7% ao ano; O Globo reporta que após cumprir obrigações legais, rede X é desbloqueada e Correio Braziliense destaca que Moraes autoriza a volta do X. AGU póe tigrinho na mira. A abertura total do mercado de energia elétrica para consumidores conectados em baixa tensão, se ocorrer até o fim desta década, poderá movimentar um volume estimado até R$ 120 bilhões em 2040. Do total, R$ 52 bilhões representam o valor adicional da migração de novos consumidores para o mercado livre, ambiente no qual o consumidor pode escolher a geradora e as condições contratuais de suprimento de eletricidade, segundo projeções feitas pela Strategy&, braço de análise da empresa de consultoria PwC.
Caso a liberação do mercado se concretize em 2030, as projeções da Strategy& apontam para um forte crescimento do volume de energia elétrica comercializada no país, correspondendo em 2040 a até quase dois terços (65%) do mercado total de eletricidade. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que hoje o mercado cativo (cuja gestão da energia é feita pelas distribuidoras) tem mais de 90 milhões de unidades consumidoras, 50% da classe residencial.
Existe no setor elétrico a expectativa de que a partir de janeiro de 2026 a opção da migração seja estendida para usuários de energia industriais e comerciais na baixa tensão. A abertura total, para residências e propriedades rurais, é estimada para ocorrer em janeiro de 2030. No entanto, essa mudança ainda depende de estudos e mudanças regulatórias que ainda não foram sinalizadas.
Há um campo vasto para se pensar em soluções interessantes” — Adriano Correia
O mercado livre permite, desde o início do ano, a migração de qualquer consumidor de energia conectado em redes de alta tensão, acima de 2,3 quilovolts (kV), o que envolve clientes com contas de luz acima de R$ 10 mil por mês. Uma rede de supermercados, por exemplo, pode ter levado mais de uma loja para o ambiente livre. Dados mais recentes da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam a realização de mais de 16 mil migrações de unidades consumidoras para o mercado livre.
Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) registra que 31,4 mil consumidores de energia já informaram às respectivas distribuidoras que vão migrar para o mercado livre ao longo deste ano e de 2025. O número corresponde a uma média mensal de 2,5 mil migrações.
Adriano Correia, sócio e lider da indústria de energia e serviços de utilidade pública (utilities) da PwC Brasil, avalia que ainda é preciso aguardar como a abertura do mercado vai ser costurada no Congresso Nacional, mas, do ponto de vista técnico, tende a ser muito positiva para o mercado energético.
Ele vê espaço para a realização de novos investimentos para atender a um novo perfil de consumidor, com tíquete médio menor do que atualmente verificado. Futuros investimentos, afirmou, tendem a envolver iniciativas como novos tipos de medidores de consumo de energia, novos e específicos modelos de marketing, automação de processos e estruturação de novos canais comerciais e de comunicação com os consumidores.
Correia cita como exemplo, o caso de uma rede varejista que negociava a migração para o mercado livre com uma comercializadora, quando estabeleceu como condição para fechar o negócio a instalação de carregadores para veículos elétricos nos estacionamentos das lojas. A comercializadora topou, recorda.
“Podemos imaginar, por exemplo, contratação de serviços de eficiência energética. Ou, mais para a frente, casar o mercado livre com a geração distribuída. Acho que tem um campo vasto para se pensar em soluções interessantes e, mais à frente, sofisticar o mercado”, disse.
Uma das medidas regulatórias mais esperadas é a que redesenha o papel das distribuidoras de energia. Hoje, elas compram energia nos leilões e gerenciam a distribuição aos clientes do mercado regulado quando o insumo chega através da rede transmissora. Com o redesenho esperado, surgirá a figura do comercializador regulado, que terá a incumbência de comprar energia nos leilões e negociá-la com as distribuidoras. Essas empresas, por sua vez, vão ser remuneradas apenas pelo trabalho de entregar a energia ao consumidor.
Correia salienta que, com a separação, as distribuidoras vão poder atuar mais assertivamente para reter os clientes, mantendo escala e margens financeiras.
