Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Bateria de Marte gera energia usando gases do planeta vermelho

Bateria de Marte gera energia usando gases do planeta vermelho

Princípio de funcionamento da bateria de Marte, que tira proveito dos gases da atmosfera marciana.
[Imagem: Xiao et al. – 10.1016/j.scib.2024.06.033]
 

Bateria de Marte

Talvez os astronautas e eventuais exploradores de Marte não precisem se preocupar em levar as pesadas baterias tradicionais para alimentar seus equipamentos e veículos: O próprio planeta vermelho pode se tornar uma bateria.

Xu Xiao e colegas da Universidade de  Ciência e Tecnologia da China desenvolveram uma bateria que usa os gases da atmosfera da Marte como “combustível”.

Essa abordagem reduz significativamente o peso da bateria, tornando-a mais adequada para missões espaciais. Uma vez esgotada, a bateria pode ser recarregada usando energia solar, preparando-a para ser usada novamente.

Além disso, a equipe simulou as condições da superfície marciana, incluindo as largas flutuações de temperatura, para desenvolver um sistema de bateria para Marte que forneça uma saída de energia contínua – baterias tipicamente descarregam muito rapidamente em temperaturas muito frias.

“Como um sistema especial de armazenamento de energia, a bateria de Marte é alimentada por uma atmosfera realista de Marte, apresentando uma alta densidade de energia de 373,9 Wh kg-1 e um longo ciclo de vida de mais de 1350 h, mesmo em uma temperatura baixa de 0 °C,” escreveu a equipe.

Bateria de Marte gera energia usando gases do planeta vermelho

(a-c) A bateria marciana produzindo energia elétrica em condições de luz e escuridão total. (d,e) Imagens em infravermelho síncronas. (f, g) As tensões de circuito aberto antes e depois do teste.
[Imagem: Xiao et al. – 10.1016/j.scib.2024.06.033]
 

Bateria de Li-CO2

Marte apresenta um ambiente natural desafiador, caracterizado por uma variedade de componentes gasosos, entre os quais 95,32% de dióxido de carbono, 2,7% de nitrogênio, 1,6% de argônio, 0,13% de oxigênio e 0,08% de monóxido de carbono.

Além disso, a temperatura média no planeta é de -60 ºC, e as baterias que usamos aqui na Terra tipicamente não se dão bem com temperaturas abaixo de zero – os robôs e sondas espaciais levam aquecedores para manter suas baterias operacionais.

Por isso a equipe se voltou para uma bateria de lítio e dióxido de carbono (Li-CO2), um sistema de armazenamento de energia capaz de gerar uma energia específica muito alta – teoricamente, esse tipo de bateria pode alcançar 1.876 Wh kg-1.

Os processos de carga e descarga da bateria envolvem a formação e decomposição de carbonato de lítio, enquanto traços de oxigênio e monóxido de carbono na atmosfera marciana atuam como catalisadores da reação, acelerando significativamente a cinética de conversão do dióxido de carbono.

Vitórias e desafios

Mesmo operando a uma temperatura de 0 ºC, o protótipo construído pela equipe atingiu uma densidade de energia de 373,9 Wh kg-1 e um ciclo de vida de carga/descarga de 1.375 horas, o que corresponde a aproximadamente dois meses marcianos de operação contínua.

A equipe afirmou que pretende avançar para o desenvolvimento de baterias de estado sólido viáveis para uso em futuras missões a Marte. Os desafios a vencer incluem a volatilização dos eletrólitos sob a baixa pressão da atmosfera marciana e a necessidade da criação de um mecanismo de gerenciamento térmico e barométrico.

 

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