Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Para Telesat, consolidação não basta para mudar indústria de satélites

Com financiamento completo para a sua constelação de satélites de baixa órbita Lightspeed, a operadora Telesat entende que apenas a onda de consolidação de players da indústria não basta para mudar os rumos do mercado satelital.

CEO da empresa canadense, Daniel Goldberg participou nesta quarta-feira, 2, do segundo dia do Congresso Latinoamericano de Satélites, promovido no Rio de Janeiro pela Glasberg Comunicações em parceria com TELETIME. Na ocasião, ele comentou os efeitos das constelações de baixa órbita sobre o cenário competitivo.

“Quando uma indústria como a nossa passa por disrupção, uma das respostas é que os players legados se combinem, particularmente diante de grandes entrantes capitalizados. Isso é normal, natural e saudável até um ponto, mas também não é suficiente”, afirmou o líder da Telesat.

Na ocasião, foram citadas importantes operações recentes como a compra da Intelsat pela SES, da Inmarsat pela Viasat e a fusão entre Eutelsat e OneWeb. Para Goldberg, negócios do gênero devem sim gerar escala e eficiências, representando um primeiro passo razoável. “Mas depois, o que fazer?”, questionou o executivo. “Tem que fazer algo com esse dinheiro para crescer”.

No caso da Telesat, a aposta é ingressar no mercado de baixa órbita através da constelação Lightspeed e disputar mercado com players do segmento, como a Starlink e futuramente a Kuiper (da Amazon). Na ocasião, o executivo projetou que os primeiros lançamentos da Lightspeed devem ocorrer dentro de dois anos.

“Gostaríamos de ter a capacidade disponível agora, mas não estou preocupado de ser tarde”, afirmou o CEO. “O mercado de conectividade e banda larga está crescendo de forma extremamente rápida e já temos um competidor [a Starlink] que validou a nossa decisão de alguns anos atrás, de investir em LEO”.

“O mercado quer mais competição”, prosseguiu, ainda sobre a baixa órbita. Segundo o CEO da Telesat, esta não é apenas uma demanda de empresas, mas também de governos e reguladores que desejam ofertas novas opções de ofertas competitivas no segmento A própria Lightspeed tem apoio do governo canadense, na forma do financiamento recentemente concluído.

Foco corporativo
A constelação LEO operadora canadense terá proposta de valor voltada ao mercado corporativo, e não ao consumidor final. A atuação deve passar por serviços como backhaul e conectividade ao lado de operadoras de telecom, integradores e também governos.

“Temos canais que podemos confiar e faremos todo o possível para suportar essas companhias, com quem trabalhamos há décadas”. No entanto, também há preocupação quanto ao impacto da disrupção sobre canais parceiros de longa data.

“Para ser honesto, estou preocupado com a saúde do ecossistema após a disrupção que tem ocorrido, e se teremos esse bons canais quando a Lightspeed chegar”, reconheceu Goldberg, apontando que muitos players estão com receitas sob pressão.

A própria Telesat não passa ilesa pelo movimento, com receitas pressionadas há pelo menos uma década por conta do declínio do mercado de vídeo sob satélite, notou o CEO, relacionando o movimento com o crescimento de plataformas de streaming.

O momento, contudo, também seria propício para as transformações consideradas necessárias. “Nós [o mercado] estamos passando por uma transição. Não sei se estamos no começo ou no meio, mas não estamos no fim”.

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