Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Menos de 3% da internet no país é acessível a pessoas com deficiência

 Menos de 3% dos sites da internet brasileira, composta por 24 milhões de endereços ativos, estão acessíveis para pessoas com deficiência, segundo Simone Freire, fundadora do Web para Todos e da agência Espiral Interativa, que tem grandes empresas como cliente. 

 “A pesquisa mostra que a falta de acesso digital das pessoas com deficiência é muito grave no Brasil. Isso impacta as empresas que querem contratar pessoas com deficiência. Como trazer um colaborador se essa pessoa não vai ter acesso a um treinamento virtual?”, questiona a especialista. 

 Simone Freire participou da Live do Valor + Valor Social, área de responsabilidade social da Globo, na segunda (30), sobre Comunicação acessível nas empresas e pessoas com deficiência. 

 Os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 2023, estimam que o Brasil tem 18,6 milhões de pessoas com deficiência, o que corresponde a 8,9% da população. Apenas 26,6% desse grupo encontra espaço no mercado de trabalho. Para o resto da população, o nível de ocupação é de 60,7%. Cerca de 55% das pessoas com deficiência que trabalham estão em situação de informalidade. 

 “O capacitismo é uma barreira nas empresas. Na Globo, foi feito um trabalho com todos os funcionários, da alta direção ao chão de fábrica. Estamos num momento de fazer caber mais pessoas com deficiência. Ainda é visto como algo difícil e caro por muitas empresas, só que não é”, disse Elaine Silva, analista de Recursos Humanos da Globo. 

 “As lideranças, por falta de conhecimento, fazem uma fantasia de que é caro demais e impossível. No entanto, os benefícios vão desde o jurídico até os negócios”, disse Freire. Ela cita o aspecto de compliance – estratégia de atuação em conformidade com padrões éticos e legais – por cumprir com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, mais conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, cuja regulamentação ainda está em processo. Fora isso, tem a inserção de quase 19 milhões de potenciais consumidores na economia. 

 “A tecnologia evoluiu durante a pandemia possibilitando ferramentas que contribuem para a acessibilidade, como legendas automáticas e avatares [personagem gráfico digital] de libras e muitos outros. Argumentos não faltam para começar a transformação, destacou a fundadora do movimento Web para Todos. 

 Para Elaine Silva, que tem uma deficiência hereditária, as empresas devem começar de forma pequena, com grupos de afinidade com a causa, gerando ideias, e depois promover conversas com quem é deficiente. “Eles mesmos trazem soluções, às vezes a resolução é simples e muito eficientes”, ressaltou a analista de recursos humanos. 

 

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