Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Mais barata, banda larga sem fio ainda é marginal

 O 5G FWA (Fixed Wireless Acess na sigla em inglês, ou banda larga fixa sem fio) pode vir a ser alternativa econômica e escalável à banda larga em rede com fio tradicional. Mas, enquanto a oferta de FWA se consolida no mercado americano, com forte crescimento dos serviços da Verizon e da T-Mobile e substituição dos acessos legados via cabo, esse mercado ainda engatinha no Brasil. A oferta das principais operadoras do mercado doméstico – Claro, Vivo e Algar – custa, em média, R$ 1 por GB, mais conservadora e pouco competitiva em relação à fibra óptica, serviço já consolidado no país. A instalação de fibras aéreas nos postes não requer grandes obras no Brasil, ao contrário do mercado americano, onde os cabos são enterrados. 

 Marcos Scheffer, vice-presidente de redes e serviços da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, diz que em âmbito global, 58% das redes 5G que a companhia implementou já têm ofertas comerciais FWA. No Brasil ainda se busca um modelo. A TIM sequer lançou o serviço. Marco Di Costanzo, CTO da operadora, afirma que os modelos tecnológico, de serviços e de negócio ainda precisam ser estudados profundamente. “É preciso encontrar algo diferenciado para uma melhor experiência para o usuário”, diz o CTO. 

 A Claro foi a primeira operadora a lançar o FWA, no final de 2023. Márcio Carvalho, diretor de marketing da empresa, diz que as ofertas do mercado variam por questões estruturais e pelo fato de a operadora ser consolidada ou entrante. “A Claro é líder do mercado de banda larga com rede fixa de fibra e cabo coaxial, presente em 10 milhões de domicílios. Normalmente, quem é atacante abre mão de rentabilidade para conquistar market share. O FWA pode ser complementar e uma oportunidade de expansão em locais onde é tecnicamente inviável instalar fibra, como áreas de baixa densidade e alto valor, a exemplo de condomínios de alto padrão e fazendas”, diz Carvalho. 

 Na Vivo, um dos clientes é o Itaú, que utiliza o FWA como redundância das agências. Gabriel Domingos, diretor de marketing B2B da Vivo, observa que a conexão FWA não é exclusiva, sendo compartilhada com a rede pública. “Baratear o preço poderia congestionar a rede. Fazemos um cálculo de demanda versus investimento”, justifica o diretor. 

 José Felipe Ruppenthal, diretor da consultoria Telco Advisors, avalia que a tendência é que a tecnologia se popularize via estratégias de provedores regionais de banda larga, ocupando áreas dispensadas pelas empresas dominantes, a exemplo do que ocorreu com a fibra. Por enquanto, a oferta mais agressiva é da Brisanet, com valores de R$ 99,90, para um pacote de 300 GB a R$ 179,90, com até 1 TeraByte. 

 “Nosso projeto de 5G é mais robusto, cobrindo 157 cidades e permitindo atender uma quantidade maior de clientes numa mesma área. Já cobrimos mais de 8 milhões de habitantes com rede própria fim a fim. Parte da capacidade será destinada ao FWA, já disponível em 76 cidades do Nordeste”, afirma José Roberto Nogueira, CEO da Brisanet. 

 A Ligga quer disseminar o FWA em parceria com provedores da região Norte, que querem fazer as novas expansões da banda larga sem fio devido ao congestionamento e à alta do preço dos postes. “Há também uma queda no preço dos equipamentos para até US$ 60, e o custo de instalação do FWA é praticamente zero”, diz Vitor Menezes, diretor de assuntos institucionais e regulatórios da Ligga. 

 O barateamento deve vir com a iniciativa Red Cap (Reduced Capability) para oferta de dispositivos com menores capacidades. Silmar Palmeira, diretor sênior de produtos para Qualcomm América Latina, informa que, até o fim do ano, estarão no mercado dispositivos com o processador Red Cap Snapdragon X35, lançado no final de 2023. “Já há mais de cinco fabricantes em vias de lançar produtos com preços até 50% menores” diz Palmeira. 

 A Intelbras deve lançar em janeiro o GX 1000, seu primeiro modem Rad Cap. A Huawei já fornece globalmente dispositivos com a tecnologia a um terço do preço atual, e espera muita demanda de provedores regionais. 

 

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