Quinta-feira, 2 de Abril de 2026

Fibra óptica avança e investimentos focam em antenas

 Mesmo sendo uma evolução da tecnologia móvel, o 5G requer uma infraestrutura de fibra óptica para funcionar, bem como o 4G. Tecnicamente, os dados trafegam via backbones (espinha dorsal que interliga servidores a outras redes), chegando no núcleo ou core da rede móvel (que gerencia conexões dos usuários), seguindo através de rede backhaul à antena 5G e, de lá, até os celulares e outros dispositivos. 

 Segundo Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, a fibra óptica é o meio mais adequado para backbones e backhauls, pois permite explorar com eficiência a capacidade do 5G em termos de alta velocidade e baixa latência. Por isso, costumam ser usados satélites ou rádios como backhauls em áreas onde a fibra não é capaz de chegar e outros pontuais. 

 “O Brasil está bem-posicionado em fibra óptica e a realidade atual é que os investimentos estão mais concentrados nas antenas 5G. No entanto, o leilão de 5G resultou em alguns compromissos como o Norte Conectado para chegar com fibra óptica aos locais remotos e que não possuem fibra ótica”, explica Tude. 

 O Grupo Brisanet arrematou dois lotes do leilão 5G. No Nordeste, onde atua oferecendo banda larga fixa, o 5G avança aproveitando a base construída de 288 mini data centers próprios e 43,7 mil quilômetros de backbones de fibra óptica. O 5G da companhia chegou a uma cobertura de mais 130 cidades, disponível para 80% da população urbana do Ceará. Contudo, até o momento, apenas 195 mil clientes têm chips com a nova tecnologia. 

 Até o final de 2024, o 5G avançará em Natal e João Pessoa e suas regiões metropolitanas. “Este ano, vamos investir R$ 550 milhões somente em 5G e, em 2025, prevemos valor similar, principalmente em antenas”, afirma José Roberto Nogueira, CEO do grupo. Quanto ao Centro-Oeste, o início das entregas será em 2026, conforme compromissos do edital. “Nessa região, vamos usar redes neutras de fibra óptica, faremos parcerias com pequenos e médios provedores”, diz. 

 Já a TIM investe R$ 4,5 bilhões por ano, sendo 80% alocados em infraestrutura. A companhia tem mais de 8 mil antenas, das quais 99% são fibradas. Um dos casos à parte é o arquipélago Fernando de Noronha, que passou a contar com conexão 5G da operadora, usando satélite para o tráfego de dados até a antena local. Até o momento, a cobertura 5G da empresa chegou a 403 municípios, atingindo 60% da população urbana. segundo a TIM, 80% de sua base e 85% do tráfego de dados são atendidos por fibra. 

 “Estamos investindo R$ 1,9 bi para a construção de 28 infovias” Juscelino Filho  Apenas no primeiro semestre deste ano, a Vivo investiu mais de R$ 4,2 bilhões na expansão da cobertura 5G, que hoje está presente em todas os 362 municípios com mais de 200 mil habitantes, cobrindo 56% da população brasileira. “Nossos recursos também foram aplicados na rede de fibra”, afirma Dante Compagno, diretor executivo B2B da Vivo. A operadora tem uma rede de fibra óptica com cobertura de 27,3 milhões de domicílios e previsão de atingir 29 milhões até dezembro. 

 Por sua vez, a Claro tem plano de R$ 40 bilhões em investimento no Brasil nos próximos cinco anos, com a maior parte dos recursos destinados a fibra óptica e 5G. 

 O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, diz que estão reservados R$ 2,2 bilhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para financiar, por meio do BNDES, redes de fibra, 4G e 5G no país. Já foram aprovados dez projetos, que serão conduzidos por pequenos provedores, somando R$ 616 milhões, envolvendo mais de 4 mil km de fibra óptica e 205 antenas de 4G e 5G. 

 Além disso, o Novo PAC tem um eixo de conectividade, destinando maior parte dos recursos à ampliação do 4G e do 5G, especialmente em áreas carentes de infraestrutura de telecomunicações. “Estamos investindo R$ 1,9 bilhão para a construção de 28 infovias, que atenderão especialmente o Norte e o Nordeste, levando internet de banda larga para lugares de difícil acesso como comunidades ribeirinhas e aldeias”, diz o ministro. 

 Em março, o Ministério das Comunicações autorizou três empresas que atuam com redes neutras de fibra óptica a captarem R$ 5,3 bilhões em debêntures incentivadas de infraestrutura. “Esses títulos são outra forma de estimular o investimento no setor”, afirma Juscelino Filho. 

 

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