Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Silveira vê economia de R$ 400 milhões com horário de verão

 O Brasil pode economizar R$ 400 milhões se decidir retomar o horário de verão, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O número pode variar a depender do prazo, mas essa seria a economia gerada ao evitar o acionamento de mais geração térmica, usada para atender a maior demanda em horários de pico, uma alternativa cara para contornar o calor excessivo e os reservatórios mais baixos das hidrelétricas. 

 Silveira falou à imprensa nesta quinta-feira (19), na sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) no Rio, e afirmou que recebeu a recomendação do ONS de adotar o horário de verão para evitar o estresse do sistema, que enfrenta o pior nível pluviométrico dos últimos 74 anos. Ainda assim, segundo o ministro, existe certa tranquilidade para avaliar outras medidas de resiliência antes de tomar a decisão, uma vez que não há risco de crise energética no país. 

 A decisão se haverá ou não horário de verão este ano será tomada nos próximos dez dias, depois de conversas com técnicos e membros de outros ministérios, segundo Silveira. Caso escolha adotar a medida recomendada pelo ONS e aprovada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) ontem, ainda levaria cerca de um mês para implementação. “Mesmo que o horário de verão seja decretado antes das eleições municipais, ele não seria implementado antes do segundo turno.” 

 O CMSE tem a função de acompanhar e avaliar a segurança energética do país e é formado por representantes do Ministério de Minas e Energia, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Agência Nacional de Petróleo (ANP), da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do próprio ONS. 

 O horário de verão ajudaria a estender por uma hora a geração solar, que corresponde a 20% do volume de energia do sistema. “A decisão do horário de verão é do governo, mas quem fundamenta é o setor energético”, disse Silveira, que frisou que precisa conversar com outras áreas antes de decidir. A implantação da medida depende de decreto presidencial. 

 “Eu ainda não me convenci da necessidade de decretar o horário de verão”, disse o ministro. “Mas a própria recomendação do ONS indica que os agentes podem começar a se planejar.” 

 Silveira disse que, quando o horário de verão foi suspenso em 2019, não houve base científica para a decisão, o que gerou uma crise em 2021. Segundo ele, o governo se baseia em critérios técnicos para fazer o planejamento energético. 

 

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