Valor 1000: Telefônica Brasil, campeã de TI & Telecom, confia na força de sua infraestrutura para alcançar alta rentabilidade
A Telefônica BrasilCotação de Telefônica Brasil, dona da Vivo, tem usado, principalmente, a força e a expansão contínua de sua infraestrutura para garantir níveis altos de crescimento e rentabilidade. Em 2023, quando completou 25 anos como companhia listada na B3 e na Bolsa de Nova York (NYSE), a operadora chegou a 113 milhões de acessos, sendo 99 milhões de linhas móveis. Desse total, 61,8 milhões são clientes de planos pós-pagos (mais rentáveis). Esses números asseguraram à empresa a continuidade da liderança nacional, com 41,5% de market share.
“Independentemente da conjuntura de elevação de tributação, câmbio e inflação, foi o primeiro ano em que tivemos todas as linhas de nosso balanço acima da inflação, que não foi baixa. A receita cresceu 8,4%, para R$ 52,1 bilhões; o Ebitda subiu 10,6%, para R$ 21,3 bilhões; e o lucro líquido teve alta de 23,1%, para R$ 5 bilhões”, comemora Christian Gebara, CEO da Telefônica Brasil.
Ele destaca que apenas parte dos investimentos é atrelada ao dólar e a empresa tem proteção cambial. O dólar impacta a inflação, que reduz o poder de compra dos clientes. Mas, como a digitalização tornou-se essencial na vida das pessoas, ela passou a ser priorizada quando há redução de orçamento familiar. “A digitalização, num país com tanta desigualdade, é um vetor de inclusão. A base do nosso bom desempenho é a aposta em investimentos continuados no incremento de nossa infraestrutura. Em 2023, expandimos a rede 4G — presente em 4.787 municípios — e aceleramos as expansões do 5G e da rede de fibra. Esta chegou a 26,2 milhões de domicílios com rede disponível (home passed), dos quais 6,2 milhões são clientes efetivamente conectados, o que nos coloca como a maior empresa com infraestrutura de fibra e de internet móvel do país”, diz Gebara.
Em 2023, a receita da operação móvel somou R$ 36,7 bilhões, crescimento de 10,9%, impulsionado sobretudo pelo pós-pago, que encerrou o ano com faturamento de R$ 27,3 bilhões e crescimento anual de 13,1%. A base pós-paga tem um nível de churn (cancelamento) inferior a 1% e representa 64,3% do total de linhas móveis. Ao final do primeiro semestre de 2024, a empresa ultrapassou a marca de cem milhões de acessos de telefonia móvel, atingindo 100,9 milhões de conexões.
“Já as receitas da rede fixa cresceram apenas 3,1%, devido ao decréscimo das tecnologias legadas, como a telefonia fixa e o ADSL (banda larga em rede de cobre), origem da nossa concessão, há 25 anos, e que hoje representam apenas 5% do nosso resultado. Agora estamos migrando a concessão para autorização, processo em análise pelo Tribunal de Contas da União. Ao longo dos 25 anos, a Telefônica investiu mais de R$ 500 bilhões em capex e aquisições no Brasil”, destaca Gebara.
Em 2023, os investimentos somaram aproximadamente R$ 9 bilhões, montante também previsto para 2024. A rede móvel consumiu a maior parte dos recursos, com destaque para a cobertura 5G, que atingiu 47,6% da população e 173 cidades — todas as capitais e cidades acima de 500 mil habitantes e algumas acima de 200 mil.
Esses números evoluíram para 273 cidades e 52,3% da população coberta no primeiro semestre de 2024. A expansão do 5G segue um planejamento pragmático e alinhado à disponibilidade dos aparelhos: “O que nos orienta é a experiência do cliente. Não adianta colocar 5G onde não há disponibilidade de clientes com smartphones 5G, que estão concentrados nas capitais e nas grandes cidades. Nosso cliente do pós-pago supera 30% da base total do Brasil com aparelho 5G; na base pré-paga, estamos abaixo de 15% de penetração. Agora, como a base de aparelhos 5G começa a baratear e a crescer, nossa expansão de rede também cresce”, explica Gebara.
Outra área de fortes investimentos é a rede de fibra, que já soma 444 cidades cobertas e uma malha que já chegou a 27,3 milhões de domicílios ao fim do primeiro semestre de 2024. A previsão é de fechar o ano com 29 milhões de domicílios.
Gebara destaca que, além dos diferenciais da infraestrutura e da conectividade, o segundo pilar do bom desempenho é a diversificação de negócios. Os 114 milhões de acessos em 2024 representam 60 milhões de clientes, dos quais 1,6 milhão de empresas. O mix de soluções digitais corporativas — serviços de cloud, cibersegurança, IoT, big data, mensageria, venda e aluguel de equipamentos de TI — fechou 2023 com receita de R$ 3,4 bilhões, valor 25% superior ao ano anterior e o equivalente a 6,5% do faturamento.
“O Grupo Telefónica criou três empresas na Espanha, chamadas Telefónica Tech para cyber, cloud e data IoT, que replicamos aqui. Nos colocamos como um parceiro tecnológico, oferecendo serviços de cloud de Amazon, Microsoft e Google. Recentemente, compramos a IPNET, especializada em serviços da nuvem do Google”, diz Gebara.
No B2C, os novos negócios renderam R$ 1,3 bilhão, com alta de 40% e representando 3% das receitas da Telefônica. A vertical de serviços financeiros cresceu 36,4% em 2023, totalizando R$ 403 milhões, com oferta de empréstimo pessoal, Pix parcelado, antecipação de FGTS e seguros. Gebara diz que essa operação vai crescer a partir de uma licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD), solicitada pela empresa ao Banco Central.
A vertical de entretenimento inclui comercialização dos principais streamings e gerou R$ 563 milhões, com 2,7 milhões de assinantes, alta de 19% ante a 2022. Já a venda de eletrônicos — lâmpadas e dispositivos inteligentes, acessórios e notebooks — e de aparelhos com foco em smartphones 5G (mais de 80% das vendas de celulares nas 1.800 lojas) rendeu um faturamento de R$ 3,5 bilhões. “Os equipamentos que não eram smartphones geraram vendas de R$ 344 milhões, incluindo nossa marca de acessórios Ovvi, que faturou R$ 40 milhões”, ressalta Gebara.
Na vertical de saúde e bem-estar, a Telefônica Brasil adquiriu a Vale Saúde Sempre e já fatura R$ 37 milhões em um ano de operação. Em educação, a empresa anunciou a Vivae, joint-venture com a Ânima. A nova frente é o início da operação da GUD Energia, joint venture com a Auren para capturar as oportunidades no mercado livre de energia.
“Além das aquisições, o Vivo Ventures, nosso corporate ventures, pode fazer investimentos minoritários, como o que fizemos na Conexa Zenklub, de saúde, e na Klubi [consórcio] e na Klavi [open finance]”, completa o CEO.
A operadora foi reconhecida como a mais sustentável do Brasil pelo Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3). As metas são antecipar em cinco anos o selo NetZero e coletar 225 toneladas de resíduos eletrônicos por meio do Vivo Recicle. E no campo da diversidade, a empresa espera alcançar 45% de mulheres e 40% de pessoas negras em cargos de liderança e 45% de negros no quadro geral de colaboradores.
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