Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Venda de PCs dá sinais de recuperação

 A expectativa de recuperação das vendas de computadores pessoais (PCs) no Brasil este ano, especialmente no mercado corporativo, atrai novas marcas que buscam competir na oferta a pequenas e médias empresas. 

 Em 2024, os fabricantes devem vender 7,64 milhões de PCs no país a empresas, varejo e ao setor público, projeta a consultoria IDC Brasil. O volume representaria uma queda de 1% ante o resultado de 2023. Para a IDC, a projeção é um sinal positivo após a queda de 10,2% nas vendas em 2023. 

 “Há uma expectativa por um novo ciclo de troca de máquinas no mercado corporativo, após o salto de demanda em 2021 puxado pelo trabalho remoto, no auge da pandemia”, afirma o diretor de pesquisas da consultoria IDC na America Latina, Reinaldo Sakis. 

 Já em 2025, a IDC projeta 7,96 milhões de computadores vendidos no país, alta de 4,1% ante o resultado de 2024. “A demanda por novos PCs com inteligência artificial (IA) generativa também deve ser mais forte em empresas, a partir do ano que vem”, nota Sakis. 

 Somente no varejo, a expectativa para 2024 é de 3,47 milhões de computadores vendidos, alta de 2% em base anual, segundo dados da consultoria NielsenIQ GfK. Em 2023, as vendas neste segmento recuaram 2,1%. 

 As vendas da Black Friday, no fim de novembro, serão o principal indicador do impacto da alta do dólar e dos custos do frete internacional sobre os preços e as vendas de máquinas, em 2024, observa o diretor de atendimento de Tecnologia e Bens Duráveis da NielsenIQ GfK   no  Brasil, Ricardo Moura. 

 “Esperamos uma estabilidade positiva nas vendas de computadores no varejo, este ano, mas isso depende de como o mercado vai reagir ao repasse de preços do dólar mais alto”, ele afirma. 

 As fabricantes taiwanesas de computadores Acer e Asus, que já vendem notebooks há anos no varejo brasileiro, começam a disputar o segmento de empresas privadas e públicas com outras multinacionais que lideram o setor como a americana Dell e a chinesa Lenovo. 

 O modelo de locação de computadores atrelado a contratos de serviços como atualizações e manutenção de máquinas vem ganhando força nos últimos anos, destaca Sakis, da IDC. Segundo a projeção dos fabricantes consultados pelo Valor, as vendas de equipamentos para o modelo de hardware como serviço (HaaS, na sigla em inglês) devem representar mais de 10% das vendas totais dos fabricantes no Brasil em 2024. 

 A brasileira Positivo Tecnologia notou aumento na procura por computadores no modelo HaaS este ano. “As empresas notaram que é uma forma de mudar a estratégia de alocação de capital de ativos, que entram em depreciação, para despesa recorrente”, compara o gerente de produtos da empresa Fabiano Takahashi. 

 A Acer, que atua no Brasil desde 2010, com foco em notebooks, iniciou a oferta ao mercado corporativo em abril, apostando tanto na ampliação do portfólio de produtos como no segmento de serviços e em fabricação local. 

 “Desde o auge da pandemia vimos que a demanda [corporativa] evoluiu mas o segmento ainda está bastante concentrado em duas empresas”, afirma o diretor de vendas corporativas da Acer no Brasil, Marco Vorrath, que deixou o comando da subsidiária brasileira da fabricante chinesa de celulares Oppo, para estruturar a nova área da Acer. 

 Há uma expectativa por um novo ciclo de troca de máquinas no mercado corporativo”  — Reinaldo Sakis 

 Atualmente, Dell e Lenovo dominam o as vendas corporativas de PCs no país, conforme apurou o Valor.

 Inicialmente, o foco da Acer será oferecer a opção de vendas diretas da fabricante a empresas com até 500 computadores. “Queremos preencher uma lacuna onde os fabricantes não costumam estar presentes diretamente”, explica o diretor geral da Acer para a América Latina, Germano Couy. Nos contratos de locação e serviços, o executivo informa que a empresa trabalhará com “taxas de juros mais competitivas oferecidas pela matriz”. 

 Além dos notebooks, o portfólio corporativo da Acer foi ampliado para computadores de mesa, estações de trabalho, projetores e acessórios. Os computadores começaram a ser fabricados no país em março, pelas empresas Foxconn e Compal Eletrônica, em Jundiaí (SP). 

 Mais do que a alta do dólar, segundo Couy, a crise logística tem sido a maior preocupação dos fabricantes, atualmente. 

 “O prazo de entrega do frete internacional se estendeu em quatro semanas e há um congestionamento muito grande no porto de Manaus (AM)”, afirma o executivo. Ele se refere à estiagem antecipada na região do Rio Amazonas que afeta a distribuição de computadores e componentes eletroeletrônicos vindos da Zona Franca de Manaus. 

 A taiwanesa Asus, que vende notebooks no Brasil desde 2008, também ingressou nas vendas corporativas, este ano, com dois notebooks importados. O plano é fabricar as máquinas para empresas pela Foxconn, em Jundiaí, em março de 2025. Até lá a empresa também estrutura sua oferta de vendas e locação a pequenas e médias empresas. “O foco está em empresas com até 500 funcionários”, informa o gerente de produtos na Asus, Henrique Costa. Ele frisa que “o modelo [de locação] também está nos planos para o Brasil”. 

 O setor público, especialmente na área de educação, também está no radar da Acer no Brasil. “Queremos aproveitar licitações de notebooks robustos, por exemplo”, ilustra Couy. 

 Este ano, no entanto, os fabricantes de PCs enfrentam uma demanda represada no setor público por uma combinação de fatores. “No segmento de educação, muitas secretarias estão aguardando o edital a ser conduzido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que vem sendo postergado, mas ainda deve acontecer em 2024”, diz Takahashi, da Positivo. “Além disso, as eleições municipais deste ano também geram impacto nos processos de compra devido a mudanças e movimentações nos quadros decisórios”, complementa. 

 A expectativa, segundo Takahashi, é de que o setor público retome as contratações nos patamares tradicionais, no quarto trimestre deste ano. 

 

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