Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Setor elétrico enfrenta desafio para garantir segurança no abastecimento, admite Silveira

 O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reconheceu, nessa terça-feira (3), que o setor elétrico, apesar de contar com grande oferta, enfrenta o desafio de garantir a segurança no abastecimento, frente aos efeitos da seca severa que afeta as grandes hidrelétricas da região Norte e às oscilações na entrega eletricidade pelas fontes renováveis (eólica e solar). Ele ponderou, no entanto, que o país não voltará a enfrentar no próximo ano a crise de abastecimento semelhante à ocorrida em 2021. 

 A manifestação foi feita após reunião com o diretor geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Márcio Rea. 

 No início da tarde, Silveira conduzirá a reunião mensal do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Ele disse que, ainda hoje, se reunirá com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para tratar das preocupações com a atual situação do setor. 

 Sobre as usinas da região Norte, o ministro afirmou que o sistema não pode contar novamente com a oferta neste período do ano em razão do atual“período crítico” de estiagem.As hidrelétricas afetadas são Jirau, Santo Antônio, ambas instaladas no rio Madeira (RO), e Belo Monte, no rio Xingu (PA).

“Coragem” do presidente Lula (PT)

 Ele ressaltou a “coragem” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em gestões anteriores, de enfrentar resistência contra esses empreendimentos, que costumam assegurar o abastecimento do país quando o parque de geração hidrelétrica no Sudeste e Centro-Oeste, o maior do país, passa pelo período de estiagem.

 A preocupação do governo, disse Silveira, é adotar medidas que garantam o “equilíbrio entre modicidade tarifária e segurança energética”. 

 Questionado sobre a possibilidade de recorrer a termelétricas sem contratos, chamadas de Merchant, o ministro de Minas e Energia afirmou que “não devemos ter térmica Merchant” em operação. Segundo ele, existem 8 gigawatts (GW) de capacidade, como “parque descontratado”, a que o governo poderá recorrer ao realizar o esperado “Leilão de Reserva de Capacidade”, apontado por especialistas como oportunidade para atender à atual demanda por potência no sistema. 

 Sobre o comportamento da geração renovável, Silveira reconheceu que, apesar do “custo acessível”, essas alternativas “ainda não dão segurança” que o sistema precisa. Isso ocorre, por exemplo, quando a geração solar deixa de entregar repentinamente, ao pôr-do-sol, cerca de 30 GW, momento em que o sistema registra pico de consumo, por volta das 18h, em dia útil. 

 A geração eólica, que oscila com a força dos ventos, registra maior volume de geração no período da noite, quando a carga está mais reduzida. Esse fenômeno, da “rampa da geração solar”, foi explicado recentemente em reportagem do Valor.

 O ministro foi questionado sobre a possibilidade de o CMSE aprovar o acionamento das usinas mais caras do sistema, por meio do “despacho fora da ordem de mérito”. Ele disse que essa decisão não está sendo considerada no “curto prazo”. 

 

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