Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026

Inflação nos EUA sobe 0,6%, maior alta em 5 meses

A alta dos preços da energia pressionou a inflação nos Estados Unidos em setembro e manteve no radar a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) voltar a elevar os juros antes do fim do ano. A meta da autoridade monetária é de 2% ao ano.

O índice de preços ao consumidor (CPI), divulgado ontem pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho, subiu 0,6% em setembro, na maior alta mensal em cinco meses. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 3,7%.

A maior parte da alta veio da energia, cujos preços dispararam este ano em consequência da guerra com o Irã. No fim de setembro, a gasolina chegou a quase US$ 4,50 por galão (3,78 litros), o maior valor em quatro meses.

O núcleo da inflação, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia, também avançou, mas em ritmo mais moderado. Em setembro, a alta foi de 0,3%. Em 12 meses, o indicador avança 2,6%.

“O dado foi pior do que o esperado”, disse Bill Adams, economista-chefe para os EUA do Fifth Third Bank, em um comunicado aos clientes. “Os aumentos de preços foram generalizados. A demanda do consumidor parece estar resistindo melhor do que as pesquisas pessimistas sugerem, ajudando as empresas a manterem seu poder de precificação.”

A inflação tem sido pressionada não apenas pela guerra com o Irã, mas também pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump e pela alta dos custos associados ao boom de investimentos em inteligência artificial.

As autoridades do Fed acompanham de perto o núcleo da inflação, considerado um indicador mais preciso das pressões persistentes sobre os preços. Os dados de setembro reforçam a avaliação de que os

Longe do objetivo Alta acumulada em 12 meses é de 3,7%, para uma meta do Fed de 2%; energia pressiona índice

juros poderão ter de subir novamente para conter a inflação. Ao mesmo tempo, o resultado dá margem para que o banco central espere antes de decidir por um novo aumento.

O Fed terá mais duas reuniões de política monetária até o fim do ano. A próxima está prevista para o fim de outubro, poucos dias antes das eleições de meio de mandato nos EUA. PRÓXIMOS PASSOS. Nos mercados futuros, a expectativa predominante é de que o próximo aumento dos juros ocorra na última reunião do Fed este ano, em dezembro. A necessidade de novas altas depois disso dependerá do ritmo de desaceleração da inflação esperado pelos dirigentes do banco central para 2027.

Em entrevista à Bloomberg na terça-feira, John C. Williams, presidente do Federal Reserve de Nova York e vice-presidente do comitê responsável pelas decisões de política monetária, afirmou que ainda considera apropriado elevar os juros mais uma vez neste ano, mas não prevê a necessidade de novos ajustes depois disso.

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