Sábado, 17 de Outubro de 2026

KPMG: setor de telecom avança no uso de IA, mas enfrenta desafios para transformar tecnologia em resultados

O setor de telecomunicações apresenta elevado nível de maturidade tecnológica, mas ainda enfrenta o desafio de transformar investimentos em resultados escaláveis e recorrentes, aponta o KPMG Global Tech Report 2026: Telecommunications. O estudo, que ouviu 104 líderes de empresas de telecomunicações com receita anual de pelo menos US$ 1 bilhão, mostra que 47% das organizações se consideram inovadoras ou adotantes iniciais de novas tecnologias. Ao mesmo tempo, 74% afirmam ter gerado US$ 50 milhões ou mais em valor com tecnologias digitais nos últimos 12 meses, sendo que 8% alcançaram US$ 1 bilhão ou mais.

Ainda de acordo com o reporte, a inteligência artificial ganha espaço como uma das principais alavancas. 54% das empresas afirmam realizar investimentos estratégicos em IA, com alguns casos de uso já gerando valor, enquanto 22% dizem ter a tecnologia implementada em escala e com retorno em múltiplos casos. Para os próximos 12 meses, esse percentual deve saltar para 76%. Além disso, 88% dos respondentes atribuem entre 21% e 40% do valor digital gerado às tecnologias de IA e inteligentes.

“O setor de telecomunicações já ultrapassou a fase de experimentação tecnológica e começa a entrar em uma etapa decisiva: transformar IA, armazenamento em nuvem, automação e dados em resultados concretos e recorrentes. O grande diferencial, daqui para frente, será a capacidade das empresas de escalar essas tecnologias com governança, segurança e disciplina de execução, sem perder de vista a eficiência operacional e a experiência do cliente”, afirma o sócio-diretor da KPMG no Brasil, Felipe Catharino.

Apesar dos avanços, obstáculos operacionais ainda limitam a captura de valor. Segundo o levantamento, 77% das empresas apontam problemas de previsão e 77% citam conflitos entre custo e velocidade como fatores que prejudicam outras áreas do negócio. Outros 65% relatam dificuldades para obter patrocínio ou recursos suficientes para iniciativas de tecnologia. Nesse cenário, 58% consideram atualmente a tecnologia uma fonte maior de risco do que de resiliência.

O estudo também evidencia o impacto da IA sobre as organizações. 91% das empresas investem em IA agêntica para formar uma força de trabalho híbrida, combinando profissionais e sistemas digitais, enquanto 83% afirmam que suas estratégias de contratação já contemplam funções nativas de IA. Para os próximos 12 meses, as principais prioridades tecnológicas são cibersegurança (78%), dados (76%), IA e automação (74%) e cloud (74%).

A pesquisa indica, ainda, que as empresas de telecomunicações esperam acelerar a implementação de tecnologias nos próximos 12 meses. A expectativa é que 66% tenham IA e automação totalmente escaladas, 63% cibersegurança, 58% cloud e 54% de computação.

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