Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026

Brasil quer equilibrar abertura para satélites e soberania digital, diz ministro

O Brasil é um dos mercados globais mais abertos ao setor de satélites, mas quer equilibrar o crescimento do mercado com iniciativas de interesse nacional e soberania digital. É o que defendeu o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, durante participação nesta quarta, 30, no primeiro dia do Congresso Latinoamericano de Satélites.

“Somos um dos mercados mais abertos do mundo, com participação ativa de empresas do setor de diferentes partes do globo”, apontou Siqueira, no evento promovido pela Glasberg Comunicações e TELETIME no Rio de Janeiro. Hoje, o País é visto como mercado prioritário para operadoras de satélite norte-americanas, europeias e chinesas, entre outras.

“Nós vamos continuar abertos à inovação, aos investimentos e à cooperação internacional, mas é preciso garantir que sistemas críticos, especialmente aqueles relacionados à defesa e às comunicações estratégicas estejam sob um regime de proteção especial”, completou o ministro.

Segundo Frederico de Siqueira, o desafio atual é justamente permitir novos modelos de negócio satelitais que sejam alinhados às políticas públicas e ao interesse nacional. “A natureza global das constelações coloca essa tecnologia no centro dos debates atuais sobre soberania e segurança digital”, notou o ministro de Lula.

“Isso torna ainda mais importante o fortalecimento e a atualização das capacidades nacionais nesse campo. Por esse motivo estamos avançando na proposta da nova geração do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, o chamado SGDC 2, no contexto do Sistema de Satélites de Defesa e Comunicações, o SSDC”, completou Siqueira.

O projeto tocado pela Telebras, vale lembrar, deve envolver cooperação com o setor privado. “A soberania digital não significa nos fecharmos em nós mesmos. Isso sequer seria viável diante da interdependência das cadeias globais de suprimentos e dos ecossistemas tecnológicos modernos”, disse Frederico, no principal evento do setor no País.

Complementaridade e D2D
O ministro das Comunicações também destacou a complementaridade de tecnologias como elemento necessário nas políticas de conectividade. Segundo Siqueira, em muitos casos “a forma mais rápida de conectar o Brasil é sim com soluções de satélite”, enquanto a fibra óptica não chega.

“Em um país de dimensões continentais como o nosso, nenhuma tecnologia isoladamente será capaz de responder todos os desafios de conectividade”, notou o chefe do MCom. “As comunicações via satélite se somam às redes de fibra e de comunicação móvel como ferramentas essenciais para enfrentar o desafio da transformação digital no Brasil”.

Neste sentido, uma nova fronteira destacada pelo ministro é a comunicação direta entre satélites e dispositivos, ou o chamado D2D. Hoje o segmento é objeto de um ambiente regulatório experimental no Brasil.

“A Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações] vem fazendo um belíssimo trabalho e acelerando homologações para garantir esse serviço complementar e fortalecer a inclusão digital no Brasil. Ao que tudo indica, o D2D poderá complementar de forma importante as redes terrestres de maneira economicamente viável e cada vez mais transparente ao consumidor”, afirmou Frederico de Siqueira.

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