Domingo, 25 de Outubro de 2026

Telebras quer contratar SGDC-2 em 2027 e iniciar construção até 2029

A Telebras detalhou nesta quarta-feira, 30, o cronograma previsto para a contratação do SGDC-2. A estatal, que encerrou nesta quarta a fase de coleta de informações junto aos fornecedores (RFI), pretende agora compilar os dados e lançar a solicitação de propostas (RFP), e ainda assinar o contrato para o novo satélite, ao longo de 2027, com início da construção previsto entre 2028 e 2029.

A informação foi dada pelo presidente da companhia, Hermano Albuquerque, durante o Congresso Latinoamericano de Satélites, no Rio de Janeiro.

De acordo com Albuquerque, a fabricação do satélite geoestacionário pode levar entre três e quatro anos, além de mais um ano a um ano e meio para os preparativos de lançamento e posicionamento em órbita.

“Precisamos decidir isso neste ano. Isso é fundamental. Do contrário, nós vamos perder o timing”, afirmou. A Telebras estima um horizonte de aproximadamente cinco anos para colocar o novo ativo em operação. O SGDC-2 deve ocupar a posição orbital de 57º Oeste, reservada ao Brasil e atualmente desocupada.

Pressa
Mais cedo, no mesmo evento, o brigadeiro do ar Sandro Bernardon, chefe do Centro de Operações Espaciais e da Subchefia de Operações Espaciais, lembrou que existe um filing (registro internacional) associado à Telebras para uso da posição 57º Oeste com prazo até 2030, enquanto outro, de caráter militar, vai até 2031.

“O meu medo é, de repente, a gente perder isso e nunca mais recuperar essa posição em cima do nosso território”, afirmou Bernardon.

A estatal opera hoje o SGDC-1 em 75º Oeste e estima que o satélite tenha mais cinco a sete anos de vida útil. O novo ativo manterá funções de comunicações estratégicas e de defesa, além de capacidade voltada a serviços civis e políticas públicas.

A Telebras já avalia também o futuro da atual posição do SGDC-1 após o fim da vida útil do satélite, previsto para aproximadamente 2035. “Ao mesmo tempo em que a gente cria o SGDC-2, nós já temos que começar a pensar o que é que a gente vai fazer na posição orbital do SGDC-1”, afirmou o presidente da estatal.

Interoperabilidade
Outra frente defendida pelo executivo foi uma maior interoperabilidade entre redes de satélites. Segundo Albuquerque, soluções de baixa órbita ainda operam, em grande parte, com protocolos fechados e terminais vinculados a operadores específicos.

A estatal tem discutido com fornecedores a possibilidade de criar padrões mais abertos e considera que a indústria brasileira poderia desenvolver terminais capazes de acessar diferentes constelações e órbitas por meio do mesmo equipamento.

Segundo o presidente da Telebras, algumas empresas resistem à abertura de seus protocolos, enquanto outras demonstraram disposição para discutir o modelo. “Quem sabe o Brasil pode desenvolver um terminal multi-órbitas”, afirmou.

Decreto de governança
Hermano Albuquerque afirmou ainda que um decreto com a governança do SGDC-2 deve ser publicado em breve.

Esse é o documento que organiza quem manda, quem decide e quem aprova o quê no projeto do futuro satélite brasileiro. O ato também é uma das condições estabelecidas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para o avanço da contratação do novo satélite.

Segundo o executivo, o encaminhamento do projeto já está alinhado com o Ministério das Comunicações (MCom) e a Casa Civil. “Temos um decreto de governança do SGDC-2 que deve ser publicado agora em breve”, disse.

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