Quinta-feira, 22 de Outubro de 2026

Balneário Pinhal planeja atrair hub digital

Após ser escolhida para sediar o Cable Landing Station (CLS) da V.tal e ser a porta de entrada do Cabo Malbec no Rio Grande do Sul, cidade de Balneário Pinhal, no Litoral Norte do Estado, planeja atrair um hub digital. “Não queremos ser apenas um local de passagem do cabo, mas que a cidade tenha desdobramentos dessa estrutura. Estamos trabalhando para isso”, afirmou o vice-prefeito e secretário de Planejamento do município, Jorge Fonseca.

O político apresentou os atrativos da cidade a empresários do setor durante reunião-almoço da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) realizada ontem. Ele também explicou como foi a escolha pela cidade para sediar o projeto.

“Quando começamos a gestão em 2025, chegaram dois profissionais perguntando onde poderiam protocolar projetos e como funcionava. Conversaram com a gestão, comigo e com o prefeito, e nos apresentaram um projeto que não tínhamos dimensão ainda. Foi uma grande surpresa para nós. E nos explicaram tecnicamente que a escolha por Balneário Pinhal tinha relação com a batimetria do mar, que era adequado o leito para a ancoragem do cabo submarino, e com a distância de Porto Alegre, que é de 80 quilômetros em linha reta sem relevos acidentados”, explicou Fonseca.

A partir de então, foi iniciada uma adaptação da cidade para a recepção do projeto. E, mais do que isso, para a preparação do local para a atração de novos empreendimentos associados ao aumento da conectividade proporcionada pelo cabo Malbec. “Estamos fazendo a lição de casa, que é entender um pouco de processos, apropriar-se de situações e fazer com que Balneário Pinhal não seja apenas um local de passagem do cabo. Já visitamos estruturas semelhantes em Montevidéu a convite da Antel, do Uruguai, e tivemos bons diálogos com o governo do estado. Temos áreas já com licenciamentos ambientais disponíveis e estamos em uma aproximação com a CEEE Equatorial para analisar a qualidade da energia. São fatores muito significativos para nossas pretensões”, salientou Fonseca.

A atração de novos negócios no segmento integra a estratégia de descentralização dos hubs digitais, hoje concentrados em Fortaleza, no Ceará, e em São Paulo. E a chegada do Cabo Malbec ao Rio Grande do Sul amplia essa atratividade. Em visita à CLS da V.tal, na sexta-feira passada, o Ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, abordou o tema.

“Essa conectividade atrai investimentos em data centers porque vai ter uma demanda de tráfego e interligação com operadores internacionais. Entendemos que isso direciona vários investimentos dessa indústria de data centers que tem interesse de vir para o Brasil. Somos um País com mais de 215 milhões de habitantes, consumindo alto volume de dados. E nossa ideia é garantir a soberania de dados e a soberania digital”, afirmou Siqueira Filho na ocasião. Perspectiva semelhante foi compartilhada pelo CEO da V.tal, empresa responsável pelo Malbec

Mas para quem está no mercado há mais tempo, isso também é visível. O diretor regional da Abinee, Régis Haubert, considerou que essa e outras transformações já estão auxiliando a transformar o Rio Grande do Sul em um ambiente favorável à instalação de data centers, com diferentes projetos em desenvolvimento. Entre eles, o da Scala Data Centers, em Eldorado do Sul, o da Tecto Data Centers, em Porto Alegre, e o da Parks,em Cachoeirinha.

“Estamos vivenciando um momento muito positivo com a instalação do Malbec, que cria um link direto de conexão do Rio Grande do Sul com o mundo todo. Temos também uma capacidade de fornecimento de energia muito boa, e isso foi um dos motivos para Eldorado do Sul sediar a chamada cidade dos data centers. E também tem água, que é outro ponto muito importante nesses complexos”, avaliou Haubert.

Entretanto, ele afirma ser necessário investir em infraestruturas mais resilientes para blindar o Estado em casos de eventos climáticos extremos. Principalmente, considerando as recentes enchentes, de 2023 e de 2024, e o El Niño, que afetaram o fornecimento de energia em diversas regiões do Rio Grande do Sul.

“A enchente deixou marcas ainda e precisamos trabalhar para diminuir a probabilidade de que isso aconteça de novo. O El Niño, este ano, está trazendo muitas chuvas e questões climáticas complicadas. Esses eventos são cíclicos, já aconteceram no passado e voltam a ocorrer. Devem ter mais edições. Temos que aprender a lidar com isso e mitigar os problemas, precisamos nos adequar ao clima”, compartilhou com a reportagem.

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