Sábado, 24 de Outubro de 2026

TIM: custo da reforma já concorre com investimentos em conectividade

Os investimentos necessários para adaptar sistemas e processos à reforma tributária já concorrem com recursos que poderiam ser destinados à expansão das redes de telecomunicações, segundo avaliação de Gustavo Alves, diretor tributário da TIM Brasil, que prevê custos elevados durante a transição entre os dois regimes tributários.

Alves participou nesta quinta-feira, 24, do Diálogos Conexis, em Brasília. Questionado pelo presidente-executivo da Conexis, Marcos Ferrari, se os custos de conformidade e adaptação competem com os investimentos em expansão da conectividade, respondeu: “Totalmente, totalmente.”

“Esse ano está sendo para a gente um ano de investimento altíssimo em sistemas, um ano de investimento altíssimo em redefinição de processo, em tudo aquilo que a gente tem de governança pela relevância que o tributo tem dentro de toda a nossa operação”, afirmou.

Na avaliação do executivo, “é um custo que efetivamente deprime os nossos investimentos, dentro das limitações que toda empresa tem, não só no nosso setor como em qualquer lugar”.

Dois sistemas terão de coexistir
Parte do custo decorre da necessidade de adaptar a operação ao novo modelo sem abandonar imediatamente a infraestrutura utilizada para cumprir as obrigações do sistema tributário atual.

Alves afirmou que as empresas continuarão investindo em sistemas antigos durante a transição.

“Essa dupla convivência, sem dúvida nenhuma, é extremamente onerosa para as empresas. A gente vai continuar tendo que investir em sistemas legados, sistemas antigos que vão ter que ser mantidos até 2028”, disse.

A implementação também ocorre em um setor com elevado volume de documentos fiscais. Alves informou que a TIM emite mais de 120 milhões de notas por mês, o que aumenta o impacto potencial de erros de parametrização.

“Qualquer erro é fatal para depois consertar. E, se eu pegar isso três meses depois, eu tenho 360 milhões de notas para ajustar. É muito complicado”, afirmou.

Operadora revisa contratos
A adequação não está limitada aos sistemas tributários. Segundo Alves, a TIM está revendo a maior parte de seus contratos diante da mudança de lógica entre preços brutos e líquidos.

“Estamos tendo que rever a maioria dos contratos da empresa, e uma parte daquilo a gente já vê com os olhos do preço líquido, mas tem uma outra parte que a gente ainda tem que considerar o preço bruto. É uma conciliação hercúlea a ser feita nesse momento”, declarou.

Apesar dos custos da transição, Alves afirmou esperar simplificação após a implantação do novo sistema. Entre as mudanças mencionadas está o fim de parte das discussões sobre apropriação proporcional de créditos de PIS/Cofins.

A adequação das empresas de telecomunicações já aparece como uma das questões práticas da reforma. Conforme noticiado pelo Tele.Síntese, a NFCom entra no cronograma de IBS e CBS em outubro de 2026.

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