Domingo, 25 de Outubro de 2026

EAF muda estratégia da rede privativa e aposta em operadoras para expansão nacional

A Entidade Administradora da Faixa (EAF) mudou a estratégia prevista para a expansão da Rede Privativa Móvel da Administração Pública. Em vez de construir uma rede de acesso própria em escala nacional, o projeto deverá utilizar a infraestrutura das operadoras móveis para obter cobertura, mantendo sob controle da EAF um núcleo dedicado responsável pelo processamento das comunicações e pelo armazenamento dos dados dos usuários.

A mudança foi detalhada pelo COO da EAF, Geraldo Segatto, durante o MVNO Experience. Segundo ele, a arquitetura permitirá utilizar a capilaridade das redes já existentes para levar a rede privativa a outros estados.

No desenho apresentado, a EAF ficará responsável pelo core, que Segatto definiu como o “cérebro” da rede. É nesse núcleo dedicado que serão processadas as chamadas e armazenados os dados dos usuários. Já o acesso móvel será fornecido por redes de operadoras parceiras.

Rede de acesso própria sai da estratégia
A opção representa uma mudança em relação ao planejamento inicial. Segundo Segatto, quando o edital foi elaborado, o projeto previa a construção de uma rede própria também na camada de acesso.

A EAF afirma ter revisto o modelo a partir de critérios de economicidade, da análise de arquiteturas utilizadas por redes privativas móveis em outros mercados e da possibilidade de acelerar a expansão para outros estados.

Com isso, a prioridade passou a ser uma arquitetura que aproveita redes móveis existentes, em vez da implantação de infraestrutura de acesso dedicada em cada localidade. O material divulgado pela EAF não informa, porém, quais operadoras participarão da expansão, os estados que serão atendidos inicialmente nem o cronograma dessa etapa.

Projeto adota modelo Secure MVNO
A arquitetura prevê a utilização de um modelo denominado Secure MVNO (SMVNO). Segundo a EAF, a solução acrescenta mecanismos específicos de segurança, controle de tráfego e gateways à utilização da infraestrutura das redes móveis.

A entidade afirma que os dados serão criptografados entre a aplicação utilizada pelo usuário e o núcleo dedicado. O core concentrará os dados e a inteligência da Rede Privativa Móvel de Missão Crítica.

O modelo também prevê recursos de Qualidade de Serviço, Prioridade e Preempção (QPP) nas redes das operadoras. A funcionalidade deverá permitir que usuários de segurança pública, emergência e defesa tenham prioridade sobre o tráfego comercial em situações de maior congestionamento da rede.

Como exemplo, Segatto citou a atuação da Polícia Militar em um estádio de futebol. Nesse cenário, a comunicação dos agentes deverá manter prioridade mesmo diante de uma concentração elevada de usuários comerciais no mesmo local.

Infraestrutura está pronta no Distrito Federal
No Distrito Federal, a infraestrutura já está disponível para integração de órgãos de segurança pública, emergência e defesa. Entre os órgãos mencionados pela EAF estão a Polícia Militar do Distrito Federal, as polícias legislativas da Câmara e do Senado e as Forças Armadas.

A comunicação será realizada por meio da plataforma de missão crítica MCx, da Motorola, e de gateways de integração. De acordo com a EAF, a entrada em operação plena depende do recebimento dos terminais móveis.

Estão previstos smartphones robustecidos LTE e equipamentos híbridos LTE/Tetra e LTE/P25, capazes de combinar funções de smartphone e rádio.

A estratégia apresentada por Segatto indica que a expansão territorial da rede será apoiada na infraestrutura móvel disponível, enquanto o controle das informações e do processamento permanecerá no núcleo dedicado da EAF. O documento não apresenta valores de investimento nem informa quando o modelo começará a ser replicado fora do Distrito Federal.

*Com assessoria de imprensa

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