CGI.br aponta IA generativa como fronteira de desinformação eleitoral
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) apresentou nesta terça-feira, 22, o segundo volume do Guia Internet, Eleições e Democracia. O documento (confira aqui a íntegra) apontou a inteligência artificial generativa como “nova fronteira da desinformação” e como tema central do ciclo eleitoral de 2026.
“Em 2026, a popularização da IA generativa tem se consolidado como um dos principais desafios, com grande potencial disruptivo para o cenário informacional. A expansão da circulação das deepfakes ao longo dos últimos anos tornou mais acessível a produção de conteúdos desinformativos com alto grau de realismo”, aponta a publicação.
“Por esse motivo, a campanha eleitoral de 2026 tem sido apontada como uma nova etapa da desinformação eleitoral, marcada pela produção em larga escala de imagens, áudios e vídeos sintéticos”, destaca o guia do CGI.br. O guia publicado nesta terça também sintetiza o arcabouço pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral.
Chatbots
O guia trata também de uma dimensão do problema que ainda ocupa espaço menor no debate público: o uso de chatbots como fonte de informações eleitorais.
“Pesquisas citadas no documento indicam que esses modelos são capazes de influenciar a opinião de eleitores com efeitos mais profundos do que campanhas e propagandas convencionais. Mesmo após a Resolução nº 23.755/2026 do TSE vedar às ferramentas de IA as ações de ranquear, priorizar ou emitir opiniões sobre candidatos, estudos identificaram algum grau de interferência em cerca de 90% das respostas geradas sobre temas eleitorais”.
Recomendação de conteúdo
O papel dos sistemas de recomendação das big techs também é tratado no guia. “As plataformas digitais estão longe de ser um meio neutro pelo qual as informações circulam”, destaca o CGI.br.
“Orientadas por modelos de negócios baseados em publicidade direcionada, essas empresas moldam ativamente a experiência de seus usuários, priorizando conteúdos que gerem mais engajamento, o que, por estrutura, favoreceria materiais sensacionalistas e emocionalmente mobilizadores, em detrimento da qualidade informacional.
CGI.br e as plataformas
“Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no País e nas cidades onde vivem. Não podemos ignorar que são empresas privadas orientadas por objetivos econômicos, e não pela perspectiva do interesse público”, enfatizou em comunicado a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.
“Compreender como esses ambientes funcionam, como os conteúdos são distribuídos e quais impactos isso produz sobre o debate público é fundamental para fortalecer a integridade da informação e a própria democracia. Esclarecer esses mecanismos é uma das finalidades do guia”.
