Agregadoras de MVNO querem roaming nacional e preço teto no atacado
Empresas que atuam como agregadoras de operadoras móveis virtuais (também conhecidas como MVNA) defenderam a adoção do roaming nacional para operações de Internet das Coisas (IoT) e o estabelecimento de um preço teto para ofertas de atacado de MVNO, como parte de uma eventual regulamentação da Anatel sobre o segmento.
Em evento organizado pelo portal Mobile Time em São Paulo, nesta terça-feira, 22, Arqia, Telecall e Surf afirmaram que o roaming nacional é indispensável para IoT, inclusive citando casos de uso na área de saúde, em que dispositivos, fora da área de cobertura e sem acesso a roaming, perdem a capacidade de entregar dados em tempo real.
“No IoT, o roaming nacional deveria ser mandatório, até entre as operadoras móveis”, disse Daniel Fuchs, vice-presidente de Inovação da Arqia. “Há cidades com cobertura ótima da TIM, mas não da Claro, e vice-versa. Isso atrapalha até elas mesmas. Em IoT, ter a cobertura é fundamental, ninguém compra um chip para ficar parado”, acrescentou.
Já o diretor-executivo da Surf, Hilton Mendes, disse que o roaming nacional “deveria ser uma obrigação estratégica da Anatel”. Além disso, indicou que, caso o regulador edite um dispositivo regulatório sobre o tema, também deve implementar o período para o instrumento ser posto em prática.
“Não adianta fazer o roaming e levar anos para o setup. Tem que ser obrigatório e ter o mínimo de tempo para funcionar”, frisou Mendes.
Na mesma mesa, o diretor de Marketing da Telecall, Bruno Ajuz, concordou com a adoção do roaming nacional para IoT. Contudo, defendeu a livre negociação para o serviço móvel pessoal, mencionando que a empresa levou dois anos para fazer um acordo com a Claro.
“O importante não é nem uma mudança, mas termos uma visão de futuro de não ter insegurança. Tendo a regra do jogo, a gente se adapta à ela”, pontuou Ajuz.
Preço teto
As agregadoras de MVNO foram categóricas em defender o estabelecimento de um preço teto para negociações de atacado com as operadoras de rede móvel.
“Desde que as ORPAs [da Oi Móvel] acabaram, nenhuma MVNO autorizada entrou no mercado, só credenciada. Na prática, isso é um sinal claro de que o mercado vê a necessidade não de tabelamento, mas de um teto para alguns custos”, afirmou Fuchs.
Na mesma linha, Ajuz disse que o segmento não quer uma tabela de preço, mas uma oferta de atacado com limite máximo estabelecido. Desse modo, não se elimina a negociação entre as partes para definição de preço.
“Cada MVNO tem a sua negociação para tentar algo melhor, de acordo com o relacionamento e o histórico com a MNO. Isso, inclusive, ajuda a MNO a enxergar a MVNO como uma parceira, não só uma cliente”, opinou o diretor da Telecall.
