Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026

Novo isolante térmico supera qualquer material encontrado na natureza

Novo isolante térmico supera qualquer material encontrado na natureza

Princípio de engenharia molecular usado para sintetizar o novo material em camadas.
[Imagem: Ziqi Wang et al. – 10.1126/sciadv.aee5269]

Isolante térmico definitivo

Um novo material está sendo chamado por seus criadores de “isolante térmico extremo”: Ele possui um dos perfis de condutividade térmica mais baixos de qualquer material denso ou não poroso, aproximando-se do limite teórico, ou seja, de quão bom é possível que um material funcione como isolante térmico.

A utilidade de um material assim não tem limites, o que é auxiliado ainda mais pelo fato de que ele é excepcionalmente rígido e pode ser fabricado em larga escala como um filme fino, no tradicional sistema industrial rolo a rolo.

“Materiais rígidos que sejam bons isolantes térmicos têm grande utilidade em diversas aplicações, desde utensílios de cozinha até dispositivos eletrônicos e viagens espaciais,” disse o professor Dali Sun, da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA. “Mas este é um desafio significativo porque, em geral, materiais rígidos são bons condutores de calor, e materiais que não são rígidos são bons isolantes térmicos.”

Esta pesquisa unifica o melhor dos dois mundos, criando um material com elevada rigidez e que é extremamente eficiente no isolamento térmico. “Ele é melhor do que qualquer material encontrado na natureza,” garantiu Sun.

Novo isolante térmico supera qualquer material encontrado na natureza

Modelagem teórica que permitiu identificar os mecanismos dominantes na supressão da condutividade térmica.
[Imagem: Ziqi Wang et al. – 10.1126/sciadv.aee5269]

Engenharia molecular

O trabalho envolve um subconjunto da classe de materiais conhecida como perovskitas, híbridos orgânicos-inorgânicos estruturados em camadas monoatômicas. São semicondutores de película fina constituídos por camadas orgânicas e inorgânicas alternadas, com uma estrutura cristalina altamente ordenada.

Os pesquisadores conseguiram controlar a rigidez e a condutividade térmica desses materiais utilizando engenharia molecular avançada, que permitiu substituir algumas das cadeias de carbono-carbono nas camadas orgânicas por uma combinação específica de anéis de benzeno – especificamente, eles produziram um filme fino de azobenzeno etil amônio chumbo iodeto.

O material apresenta uma condutividade térmica de aproximadamente 0,04 watts por metro por Kelvin (W.m-1.K-1) à temperatura ambiente. Para comparação, esse material rígido apresenta uma condutividade térmica cinco vezes menor do que a do silicone (0,2 W.m-1.K-1), que é usado como isolante térmico em aplicações como luvas de forno.

“Então, se quisermos comparar este material com o silicone, o material que produzimos é de 700 a 10.000 vezes mais rígido e cinco vezes melhor isolante térmico,” disse Liu. “E o método que usamos para produzir este material pode ser ampliado com bastante facilidade. É possível produzi-lo em larga escala, aplicá-lo como revestimento e assim por diante.”

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