Vivo e TIM teriam mais a ganhar com V.tal, aponta análise
A Vivo e a TIM teriam mais a ganhar dentro de suas estratégias de expansão da rede de fibra óptica em uma eventual consolidação com a V.tal, mostra estudo realizado pelo serviço de dados Radar da Telecom, com base em uma potencial transação, especulada pela XP Investimentos em recente relatório.
Segundo a análise do Radar da Telecom, a Vivo, cujo backbone próprio de fibra óptica alcança 1.130 municípios, poderia estender a rede para mais 1.816 cidades com a aquisição da V.tal, totalizando 2.946 – a infraestrutura da empresa de rede neutra passa por 2.272 municípios.
Na prática, a rede da V.tal pouco se sobrepõe à da Vivo. Desse modo, “o encaixe é altamente complementar e reforçaria a liderança em convergência”, indica o relatório do Radar.
Já a TIM é a que tem a menor rede de fibra (845 municípios) entre as grandes teles. Com a V.tal, a operadora entraria em mais 1.691 cidades. Assim, poderia oferecer o serviço de banda larga fixa via fibra óptica em 2.536 cidades.
“Partindo da menor base, é a de maior potencial relativo de transformação”, pontua o relatório.
Já o backbone próprio da Claro passa por 1.782 municípios (a análise não leva em conta a infraestrutura da Desktop, provedor cuja aquisição acaba de receber aprovação do Cade).
Somando forças à V.tal, a Claro entraria em 1.118 cidades, totalizando 2.846 cidades com cobertura de fibra óptica.
Na avaliação do Radar, o ganho de capilaridade para a Claro é o menor porque em “metade das cidades da V.tal ela já tem (presença)”. Contudo, a transação geraria valor como forma de acelerar a migração tecnológica, uma vez que a fibra representa cerca de 30% dos acessos de banda larga da tele, com a maior parte concentrada em HFC (misto de fibra e cabo coaxial).
Adições na banda larga
O Radar da Telecom também aponta que uma eventual aquisição da V.tal poderia incrementar em 30% as adições de assinantes de banda larga de qualquer operadora.
Inclusive, a plataforma apresenta cenários de crescimento de base, levando em conta o efeito positivo da incorporação da rede neutra (+30%) mais a aceleração do mercado de FTTH ao mês (2,5%).
A TIM, por exemplo, poderia passar de 119,6 mil adições de base em 12 meses (julho de 2026 usado como referência) para 178,8 mil ativações.
Já a Vivo registra um incremento de 829,5 mil acessos em 12 meses. O montante poderia saltar para 1,24 milhão ao ano.
A Claro, por sua vez, reporta 1,02 milhão de novos acessos em fibra no acumulado de 12 meses (parte significativa se refere à transição de HFC para a tecnologia óptica). Com a V.tal, as adições ao ano em fibra óptica poderiam somar 1,52 milhão, conforme a projeção.
Quem teria mais a ganhar
Na avaliação do Radar da Telecom, os dados mostram que “a V.tal é muito mais complementar à Vivo e à Tim do que à Claro”.
Além disso, a plataforma aponta que para a TIM, empresa que tem a menor rede própria entre as três teles, uma eventual consolidação com a empresa de rede neutra “é a diferença entre disputar o Brasil interior da fibra ou ficar de fora”.
A XP Investimentos, vale lembrar, indicou que uma eventual compra da V.tal poderia ficar entre R$ 15 bilhões e R$ 30 bilhões. O processo de fusão e aquisição (M&A), provavelmente, exigiria aumento de endividamento por parte da compradora.
Vale destacar que não existe, até o momento, nenhuma sinalização de nenhuma das empresas (V.tal, Vivo ou TIM) sobre qualquer negociação em curso. Tanto as análises da XP quanto da Radar da Telecom são, nesse momento, apenas especulativas.
