NuCel e ISPs ampliam pressão sobre operadoras móveis, avalia XP
O crescimento da NuCel e a expansão dos provedores regionais na telefonia móvel estão alterando a competição no Brasil, com maior pressão sobre a TIM do que sobre a Vivo, segundo análise da XP Investimentos. Em relatório publicado ontem, 9 de setembro, os analistas Bernardo Guttmann e Luís Chagas identificam mudanças estruturais na disputa por clientes, que incluem também a disseminação de pacotes que combinam celular e banda larga fixa.
A avaliação considera os resultados do segundo trimestre de 2026 e as estratégias comerciais das operadoras. Para a XP, a concorrência permanece mais concentrada nos segmentos de entrada, especialmente pré-pago e controle, enquanto a convergência ganha importância para conquistar e reter assinantes.
NuCel e regionais ganham espaço
Segundo os dados reunidos no relatório, a NuCel passou de aproximadamente 60 mil clientes em setembro de 2025 para 1,1 milhão em julho de 2026. A XP atribui parte dessa expansão à distribuição dentro do relacionamento bancário do Nubank, que permite acessar clientes com menor custo incremental de aquisição.
Entre as regionais, a Brisanet ampliou sua participação no pós-pago de 12% para 15,7% no Ceará e de 8,8% para 16,2% no Rio Grande do Norte em um ano. A TIM foi a operadora que mais perdeu participação nos dois estados, conforme a análise.
Os analistas destacam que esses concorrentes oferecem serviços móveis a uma base de fibra já existente, em mercados nos quais possuem presença comercial e reconhecimento local. O relatório também menciona a expansão da Unifique no Sul.
Indicadores de Vivo e TIM divergem
No segundo trimestre, a Vivo registrou 786 mil adições líquidas no pós-pago, ante 247 mil da TIM. Em relação à base de cada companhia no início do período, as adições da Vivo passaram de 1,43% para 1,52% na comparação anual, enquanto as da TIM recuaram de 1,84% para 0,95%.
A taxa mensal de desligamento móvel da Vivo caiu de 2,23% para 1,77% em um ano. Na TIM, subiu de 2,90% para 3,04%. No pré-pago, a Vivo acrescentou 314 mil acessos no trimestre, enquanto a TIM perdeu 660 mil.
Na avaliação da XP, a Vivo se beneficia da convergência, da diversificação de receitas e da menor exposição ao pré-pago, que representa 8% de sua receita total, contra 18% na TIM. Os analistas também apontam menor sobreposição da Vivo com o perfil de clientes da NuCel e com mercados nos quais os provedores regionais avançam.
Pacotes convergentes e novas receitas
A TIM busca ampliar sua presença em ofertas combinadas com o Ultracombo, que adota preços por mercado, e com o controle integral da I-Systems. Para a XP, esses movimentos podem acelerar as adições de fibra e reduzir os cancelamentos no pós-pago nos próximos trimestres.
A expansão de outras atividades também ganha peso. No segundo trimestre, as receitas de serviços fixos da TIM cresceram 27%, refletindo a incorporação da V.8 Tech e o avanço da UltraFibra. As demais receitas móveis, que incluem negócios corporativos e internet das coisas, aumentaram 26,9%.
Os analistas reconhecem a disciplina de custos e a geração de caixa da TIM, mas avaliam que a companhia terá de equilibrar a preservação de margens com investimentos comerciais e de rede para sustentar sua posição competitiva.
