Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026

Compra da V.tal poderia quintuplicar base de fibra da TIM, estima XP

Uma eventual aquisição da V.tal pela TIM poderia multiplicar por cerca de cinco a base de fibra óptica da operadora e levá-la a aproximadamente 27% de participação em FTTH nas 46 maiores cidades atendidas pela Nio, segundo análise da XP Investimentos. Nesses mercados, a participação da Vivo seria de cerca de 22%, conforme as estimativas apresentadas no relatório.

Publicado em 9 de setembro e assinado por Bernardo Guttmann e Luís Chagas, o relatório examina os efeitos de uma possível compra da V.tal por TIM, Vivo ou Claro. A XP considera que o ativo oferece escala para ampliar a convergência entre telefonia móvel e banda larga, mas ressalta desafios de financiamento, integração e estabilização da base de clientes.

A análise trabalha com cenários e inclui a possibilidade de a V.tal permanecer sem comprador. Para os analistas, o interesse estratégico de cada operadora depende tanto de suas prioridades quanto dos movimentos das concorrentes.

TIM teria a maior transformação
Na avaliação da XP, a V.tal seria a alternativa com maior capacidade de transformar o posicionamento da TIM em banda larga. A operadora poderia combinar a escala adquirida em fibra com sua participação de aproximadamente 25% no pós-pago nos mercados considerados pelo estudo.

Esse movimento ganharia relevância diante da desaceleração das receitas móveis e da expansão das ofertas convergentes dos concorrentes. A TIM já avançou nessa direção com o controle integral da I-Systems e o lançamento do Ultracombo.

Sem a V.tal, os analistas avaliam que a companhia provavelmente dependeria de aquisições menores e fragmentadas, em uma trajetória mais lenta de expansão.

Vivo e Claro têm motivações distintas
Para a Vivo, uma compra poderia reforçar sua posição na convergência e reduzir a possibilidade de uma rival ampliar rapidamente sua escala em FTTH, a fibra até a residência. A XP considera que, caso outra operadora adquira a V.tal, a Vivo poderá enfrentar um concorrente com maior capacidade de combinar serviços fixos e móveis.

Na Claro, o principal efeito seria acelerar a migração de clientes de tecnologias legadas para fibra. Segundo o relatório, a aquisição proposta da Desktop sinaliza essa intenção, mas a pendência de conclusão da operação pode reduzir a disposição da companhia para outra compra de grande porte no curto prazo.

Financiamento e integração pesam
Em seu exercício de avaliação, a XP estimou o valor do capital próprio da V.tal entre aproximadamente R$ 15 bilhões e R$ 30 bilhões. A queda das ações de telecomunicações, porém, tornou mais dilutivo o uso de papéis de Vivo ou TIM como parte do pagamento de uma eventual aquisição.

Com uma parcela menor em ações, a transação poderia exigir mais financiamento por dívida, aumentando o peso do endividamento na decisão. Os analistas ponderam que a redução dos múltiplos de negociação do setor também pode diminuir o valor implícito atribuído à V.tal.

Além do financiamento, o estudo aponta riscos relacionados à deterioração da base de clientes, à integração de redes e sistemas, às marcas e à política comercial futura da empresa.

Por esses motivos, a XP avalia que uma aquisição teria efeitos competitivos ao longo de vários anos. O comprador precisaria primeiro estabilizar a operação e integrar sua estrutura, período no qual as demais operadoras teriam tempo para responder.

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