Sábado, 24 de Outubro de 2026

Consolidações envolvendo V.tal teriam potencial de remodelar mercado, diz XP

Uma eventual compra da empresa de rede neutra V.tal por uma das grandes operadoras nacionais poderia remodelar o mercado de banda larga e a alocação de capital em todo o setor, de acordo com relatório da XP Investimentos, divulgado na quarta-feira, 9. Trata-se de um exercício de especulação feito pelos analistas, pois até o momento não existe nenhuma negociação em curso que tenha sido divulgada.

A análise, assinada por Bernardo Guttmann e Luis Chagas, ressalta que a V.tal permanece como um ativo estratégico de FTTH (fibra até a residência) por ser a empresa remanescente do segmento de rede neutra. A operação, porém, também traz desafios.

“Embora os méritos estratégicos sejam claros — acesso imediato a uma extensa rede de fibra e potenciais sinergias comerciais e operacionais —, os riscos também são significativos, incluindo a deterioração da base de clientes, a complexidade da integração, questões relacionadas a marcas legadas e o futuro da política comercial da V.Tal”, afirmam.

Segundo a XP, entre as grandes teles, uma eventual compra da V.tal pela Vivo poderia reforçar a posição da operadora como líder em convergência de serviços e limitar a capacidade das rivais de ganhar escala em FTTH.

A Vivo, vale lembrar, é a empresa que, na visão da XP, tem executado com mais eficiência a estratégia convergente.

No caso da Claro, uma eventual consolidação com a V.tal poderia acelerar a migração tecnológica. A análise lembra que embora também tenha alta penetração em convergência, a infraestrutura de fibra óptica da tele ainda tem participação pequena em toda a operação de banda larga (cerca de 30% dos acessos).

Contudo, o processo de aquisição da Desktop segue em andamento, o que pode dificultar uma nova investida de grande porte pela Claro.

Já a TIM, de acordo com o relatório, poderia multiplicar a base de FTTH em cinco vezes com a aquisição da empresa de rede neutra. A operação de banda larga, inclusive, vem se tornando mais relevante para as estratégias de longo prazo da tele.

Nesse contexto, a XP aponta que, sem a V.tal, a TIM provavelmente terá que recorrer a ativos menores e mais fragmentados para acelerar na banda larga.

“Para cada potencial comprador, a atratividade de um negócio depende não apenas de suas próprias prioridades estratégicas, mas também das decisões dos demais players, criando uma dinâmica estratégica na qual esperar pode acarretar um custo de oportunidade”, indica a XP.

Valuation
De acordo com o relatório, a V.tal tem um valuation entre R$ 15 bilhões e R$ 30 bilhões. No caso da TIM e da Vivo, uma eventual compra poderia ser financiada, parcialmente, via ações.

De todo modo, a transação, provavelmente, exigiria financiamento por meio de dívida. O modelo, no entanto, pode gerar preocupações de alavancagem. “A transação não é tão simples para qualquer comprador”, indica a análise.

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