NuCel e operadoras regionais mudam competição no segmento móvel
A ascensão da NuCel e a entrada de provedores regionais no mercado móvel estão mudando a dinâmica competitiva na telefonia celular, exigindo um novo posicionamento das teles de porte nacional.
A avaliação é da XP Research, braço de pesquisa e análise de mercado da XP Investimentos, conforme relatório sobre o setor de telecomunicações divulgado na quarta-feira, 9, e assinado pelos analistas Bernardo Guttmann e Luis Chagas.
De acordo com a análise, a competição na telefonia móvel “está se tornando mais estrutural”. Um dos motivos disso é o rápido ganho de escala da NuCel, tendo em vista que a operadora móvel virtual (MVNO) do Nubank superou a marca de 1 milhão de clientes em cerca de um ano e meio após o início das operações.
A XP lembra que “o alto nível de portabilidade já perdura por quase um ano”, considerando o movimento, portanto, estrutural, e não um pico isolado. Segundo o relatório, a NuCel, ao se aproveitar de um relacionamento bancário já existente com os clientes, tem atraído usuários mais sensíveis a preço, justamente o grupo que as operadoras tradicionais menos monetizam.
Além disso, a XP destaca que provedores regionais entrantes do 5G já estão ganhando participação no segmento pós-pago. Conforme o relatório, a Brisanet detém 15,7% de participação no pós-pago no Ceará e 16,2% no Rio Grande do Norte, seus principais mercados.
A Unifique, por sua vez, tem expandido a operação móvel na região Sul. Ambas as regionais estão ampliando a base de usuários do serviço celular, em parte, por meio de combos com clientes de fibra óptica. A análise frisa que a TIM é a operadora que mais tem perdido usuários para concorrentes.
Convergência e pré-pago
Na avaliação da XP, as grandes teles têm apostado, cada vez mais, em convergência para se posicionar na nova dinâmica competitiva – sinal disso é o recente lançamento de combos de banda larga e telefonia móvel pela TIM, ao passo que Claro e Vivo já contam com estratégias mais maduras no segmento.
“Em um cenário mais competitivo, a convergência pode atrair clientes com maior fidelidade a um custo de entrada mais baixo. A perspectiva de períodos de permanência mais longos pode incentivar as operadoras a precificar esses pacotes de forma mais agressiva, monetizando os clientes gradualmente ao longo de sua permanência prolongada na base”, diz o relatório.
A XP ainda afirma que os preços da modalidade pré-paga de telefonia móvel “estão defasados há anos”. O pacote de 30 dias, na casa de R$ 30, tem uma “diferença significativa” em relação aos planos controle.
Sendo assim, o relatório sugere que o pré-pago se tornou “o campo de batalha natural” por clientes. Além de ser a opção mais barata para conquistar assinantes, a modalidade se mostra “a maior alavanca de precificação inexplorada do setor”.
