Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Brasil Tecpar chega a 832 mil assinantes após adquirir provedor por R$ 375,7 milhões

 A operadora Brasil Tecpar fechou nesta quinta-feira (22) sua segunda aquisição este ano com a compra do controle da GGNET Telecom por R$ 375,7 milhões. Desse total, quase dois terços serão pagos à vista, em dinheiro, e o restante, em ações da holding gaúcha. A GGNET tem aproximadamente 132 mil acessos de banda larga fixa em Santa Catarina e no Paraná e atua ainda no mercado corporativo (B2B, na sigla em inglês) com a marca ALT Telecom.

 A Brasil Tecpar adquiriu 57,4% da GGNET, assumindo uma dívida de aproximadamente R$ 100 milhões. Por contrato, a holding gaúcha tem ainda a opção de compra da fatia restante de 42,6% do capital da GGNET ao longo dos próximos anos, a um preço pré-definido. 

 Com a aquisição, ainda sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a base de assinantes da Brasil Tecpar passa de 690 mil para um total de 822 mil clientes. Tomando por base os dados compilados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o mês de junho, a operação coloca a holding gaúcha na lista dos dez maiores provedores de banda larga fixa do país — a empresa ocupava a 11ª posição no meio do ano. 

 Só em 2023, a Brasil Tecpar fez dez aquisições. As duas últimas realizadas no ano passado — a compra da Blink Telecom e da JustWeb, ambas em Minas Gerais — acrescentaram cerca de 190 mil assinantes à sua base. 

 Neste ano, pode ocorrer ainda a compra de uma terceira empresa, após as aquisições da Nova Telecom (julho) e da GGNET (agosto), diz presidente da Brasil Tecpar, Gustavo Pozzebon Stock.

 “Não sei se vai dar tempo. Se acontecer, seria apenas uma”, frisa o executivo, acrescentando que há uma negociação em estágio adiantado. 

 Com um número menor de fusões e aquisições este ano, a holding concentrou seus esforços em outras prioridades: obter o registro como companhia aberta e captar recursos no mercado financeiro. Neste mês, a Brasil Tecpar concluiu a emissão de R$ 546 milhões em debêntures incentivadas de infraestrutura, com prazos de carência de três e cinco anos. 

 Em março, deu entrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) num pedido de registro como companhia aberta, deferido pelo regulador do mercado de capitais em 27 de maio. Stock ressalta, no entanto, que a Brasil Tecpar não tem intenção de realizar uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de ações. Em 2021, as operadoras regionais Brisanet, Cotação de Desktop e Unifique abriram capital na B3, mas têm seus papéis negociados atualmente abaixo do preço de estreia na bolsa. 

 “Tempos atrás, achávamos que [abrir o capital] seria a melhor alternativa. De um tempo para cá, com as mudanças no cenário doméstico e internacional, passamos a ver [o IPO] não mais como a melhor opção”, justifica Stock. 

 A estratégia de financiamento da companhia continuará centrada na contratação de financiamentos e em novas emissões de debêntures. Há, ainda, uma terceira opção para capitalizar a Brasil Tecpar: “Para estar entre as cinco maiores [operadoras de banda larga fixa do país] até 2027, vamos precisar seguir captando, emitindo debêntures; continuar com operações bilaterais [financiamento]. Fora isso, continuamos buscando um sócio”, lista o executivo. 

 

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