Terça-feira, 22 de Setembro de 2026

SoftBank quer operação de ‘torre móvel voadora’ em 2027

A operadora japonesa SoftBank realizou com sucesso um teste de conectividade móvel por meio de uma estação de plataforma de alta altitude (HAPS, na sigla em inglês).

A estrutura opera na estratosfera e funciona, na prática, como uma estação rádio base no céu. Desenvolvido pela norte-americana Sceye, o dirigível forneceu conexão 4G LTE para smartphones em solo.

A SoftBank vê o experimento como um avanço em relação aos planos divulgados em 2025. Na ocasião, a operadora previa iniciar o serviço em 2026, após investir US$ 15 milhões na Sceye e firmar um acordo de exclusividade para uso da tecnologia da empresa no Japão.

Agora, a previsão é avançar na comercialização a partir de 2027, utilizando os resultados dos testes para aperfeiçoar a qualidade da conexão e definir os procedimentos necessários para operar a infraestrutura.

Testes
A plataforma partiu de Roswell, no Novo México (Estados Unidos), no dia 9 de agosto, percorreu mais de 15 mil km sobre o Oceano Pacífico e chegou ao espaço aéreo japonês no dia 23, após cerca de 13 dias de voo.

A HAPS permaneceu sobre uma área próxima à cidade de Muroto, na província de Kochi, mantendo-se dentro de um raio de até 5 km. A região foi escolhida para simular situações de grandes desastres, como um eventual terremoto na fossa de Nankai.

Nos testes, uma estação rádio base equivalente a 4G LTE instalada no dirigível foi conectada ao núcleo de rede da SoftBank por meio de um gateway terrestre. Segundo a companhia, a estrutura permitiu chamadas de voz, envio mensagens de texto e acesso a aplicativos, além de transmissão de vídeos e videochamadas.

Também foram testados alertas de terremoto e tsunami e chamadas para o número de emergência marítima japonês. A operadora vê a tecnologia como uma alternativa para manter conectividade em regiões remotas ou afetadas por desastres e, no futuro, atender também drones e outros sistemas de mobilidade aérea.

Projeto de computação
Outro experimento envolveu a instalação de um servidor de processamento na própria HAPS. Nesse cenário, os dados foram processados na estratosfera, sem precisar percorrer toda a infraestrutura terrestre até um serviço de nuvem.

O tempo médio de ida e volta registrado foi de 68 milissegundos. Isso representa uma redução de mais de 40% na latência em comparação com o processamento pela Internet, segundo a SoftBank. A empresa afirma que foi o primeiro teste desse tipo no mundo, com núcleo de rede móvel e servidor web instalados em uma HAPS.

A estratégia também está ligada aos planos da companhia para as futuras redes 6G. A companhia pretende integrar redes terrestres, HAPS e satélites em uma arquitetura de conectividade “tridimensional”.

“A SoftBank pretende construir uma infraestrutura de comunicações de próxima geração que conecte de forma contínua o solo, o céu e o espaço”, afirmou o presidente e CEO da operadora, Junichi Miyakawa. Segundo o executivo, o teste realizado no Japão representa “um passo importante para a comercialização das HAPS”.

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