Redata irá acelerar demanda e investimentos para Data Center e IA no Brasil, apontam especialistas
O Redata, projeto de Lei aprovado no Senado Federal nesta terça-feira(1), irá acelerar a demanda por data centers e atrair investimentos em infraestrutura digital com maior previsibilidade e estabilidade, apontam especialistas. Após a votação simbólica, o texto segue para sanção presidencial, após a comunicação à Câmara dos Deputados.
A alteração principal do PL está relacionada à matriz energética dos data centers. Em vez de especificar determinadas fontes, a redação passou a exigir que a energia utilizada seja proveniente de fontes renováveis ou de baixa emissão. Tito Costa, CRO da Tecto Data Centers, aponta que o Redata é um avanço importante para tornar o Brasil mais competitivo na atração de investimentos em infraestrutura digital.
“O país já tem vantagens importantes, como energia abundante e majoritariamente renovável, boa conectividade e capacidade de expansão. Mas ainda existem questões que pesam nessa competição, como o custo de equipamentos que não são produzidos aqui e precisam ser importados. O Redata ajuda a reduzir essa diferença e traz mais previsibilidade para quem está decidindo onde investir”, explica.
Por outro lado, Marcos Siqueira, CRO e Head de Estratégia da Ascenty, destacou, na Febraban Tech, que as instituições financeiras buscam conectividade com segurança, resiliência e a menor latência possível, mas também destaca que o Brasil não possui todo o necessário para fornecer aos clientes a escolha de onde manter os seus dados, já que 60% do cloud utilizado no país não está em território nacional. Com a aprovação da Redata, o estímulo à construção de infraestrutura local poderia reduzir a transferência internacional de dados e fortalecer a atuação da ANPD, além de contribuir para a cibersegurança e a governança digital.
“Ainda não temos todos os data centers que precisamos, mas o Brasil tem condições para isso. Tem uma matriz extremamente renovável e limpa, paga-se metade no custo da energia aqui do que nos Estados Unidos, por exemplo, e é um país com responsabilidade de sustentabilidade, com espaço para construir data centers, mas falta investimento. Ter data centers no Brasil vai favorecer as empresas a ter dados no país com custos mais acessíveis”, justifica.
Já Alessandro Lombardi, fundador e CEO da Elea Data Centers, traz que a Redata era uma necessidade e a sua aprovação é um marco para a infraestrutura digital brasileira. “O Brasil reúne demanda, capital, energia e vantagens competitivas para ocupar uma posição relevante na economia global da inteligência artificial e passa agora a contar com maior previsibilidade para transformar esse potencial em capacidade instalada e novos investimentos. Com o avanço do projeto para sanção presidencial, o próximo desafio será garantir agilidade na implementação para que o país aproveite a janela de oportunidade aberta pela expansão da IA”, afirma.
Luiz Henrique Barbosa, presidente executivo da TelComp, pontua que a aprovação vai além de uma conquista fundamental e representa a correção de uma assimetria no ecossistema de infraestrutura digital brasileira. “Projetos de data centers exigem planejamento de 20 a 30 anos e competem diretamente com investimentos no Chile, México, Canadá ou Índia. Com o Redata, o Brasil cria condições de igualdade para atrair novos centros de dados, garantindo que o processamento da informação e da IA aconteça em solo nacional, fortalecendo nossa soberania tecnológica”, diz.
“A infraestrutura de data centers não opera isoladamente. Ela é o coração de um ecossistema que conecta desde grandes provedores internacionais (hyperscalers) até operadores regionais e de borda. Destacar parte deste desenvolvimento para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, associado ao compromisso com energia limpa e eficiência hídrica, mostra que o Brasil está unindo avanço tecnológico com sustentabilidade e desenvolvimento regional”, complementa.
Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee, segue a mesma lógica ao descrever a aprovação como “atrasada”, mas aponta que as indústrias estão prontas para produzir, com as mais modernas tecnologias adotadas em todo o mundo, os equipamentos necessários para a instalação dos data centers.
“Com o Redata, o Brasil espera atrair bilhões de reais nos próximos anos em investimentos em data centers, pois nosso país tem atrativos importantes para o ecossistema de computação em nuvem, como as energias renováveis, água em abundância, localização geográfica e geopolítica privilegiadas, além de cabos submarinos de alta capacidade, que levam mais velocidade e qualidade das conexões.”
Por fim, Costa acrescenta que o setor de data centers já vem crescendo porque existe uma demanda concreta, que deve aumentar ainda mais com inteligência artificial e computação em nuvem. “O Redata pode acelerar esse movimento e criar condições para que uma parcela maior desses investimentos venha para o Brasil. E isso não significa apenas novos data centers: significa também trazer para cá mais empresas clientes desses data centers e que irão necessitar de mais equipamentos que já são fabricados no Brasil, ajudando também indústrias que já estão instaladas aqui”, conclui.
