Nova rede marca início do 5G Advanced, destaca Di Costanzo, da TIM
Durante o lançamento da nova rede 5G da TIM, em Brasília, o CTO da operadora, Marco Di Costanzo, reconheceu que a transição tecnológica, na prática, significa o início do 5G Advanced para a operadora, ainda que, do ponto de vista de marketing, a TIM tenha optado por não promover esta mensagem (entre outras razões porque é um processo de transição que está sendo realizado em etapas e para não gerar expectativas). Nesta entrevista exclusiva, Di Costanzo fala sobre os principais aspectos da evolução da rede e os benefícios esperados pela operadora.
TELETIME – Já podemos chamar essa nova fase de 5.5G ou geração intermediária?
Marco Di Costanzo – Alguns falam 5.5G, ou nova geração, mas sim. O nome técnico é 5G Advanced. É uma geração intermediária, que já representa uma evolução considerável em relação ao que a gente tinha.
O que essa modernização traz de funcionalidades que não existiam antes?
O 5G terá duas etapas: o 5G atual e o 5G Advanced, que nos levará pelos próximos cinco anos. A grande diferença é a integração da Inteligência Artificial (IA) diretamente na tecnologia. É algo disruptivo. A antena deixa de ser estática e passa a entender o tráfego automaticamente, orientando o sinal de forma autônoma conforme a demanda. Muda completamente a forma como a rede opera.
Essa rede que vocês estão instalando em Brasília e nas demais cidades que estão passando por esse ciclo de modernização já é autogerenciada?
Sim. Estamos lançando a nova rede com três agentes de IA: um de autoconfiguração (Mobile Load Balance), um de otimização (Coverage and Capacity Optimization) e um de auto-reparação. Se uma célula sai do ar, a vizinha detecta a falha e orienta o sinal para suprir a carência, minimizando o impacto para o cliente, por exemplo. Isso faz com que a rede seja muito mais otimizada, tanto em uso de espectro, gasto de energia e capacidade de atendimento.
O que mudou nos equipamentos com essa modernização?
A inovação é fim a fim. Não estamos modernizando apenas o acesso (estação de rádio base), mas também o transporte, o core e as interconexões. Tudo precisa ser atualizado para que a política de qualidade diferenciada funcione. Não é apenas um elemento da rede, mas tudo, de forma integrada.
Vocês ampliaram a quantidade de ERBs com o 5G Standalone? Houve agregação de frequências?
Todas as nossas estações 5G hoje são standalone. Para ter o 5G Advanced, é necessário ser standalone. A agregação de frequências é algo que a gente faz na medida em que precisa de mais capacidade.
Esse investimento na modernização da rede se paga, considerando que o 5G ainda é um desafio de rentabilidade para as operadoras?
Sim. Modernizamos a rede e instalamos 40% a mais de capacidade sem precisar colocar novos sites. O tráfego cresceu entre 15% e 20%. A IA reduz o custo de operação e gera mais capacidade, o que ajuda a criar novas receitas e reduzir despesas. Então existem muitas vantagens econômicas nesta transição.
Em termos de novos negócios, isso abre possibilidades para redes privativas?
Com certeza. A baixa latência e o controle autônomo são ainda mais fortes no mercado B2B. Já operamos redes privativas para a Vale, para a usina de Itumbiara (Eletrobras) e para a CPFL, por exemplo, nesse modelo.
Vocês veem uma necessidade urgente de espectro adicional? E a faixa de 26 GHz, está no horizonte para começar a ser utilizada?
Não temos uma necessidade urgente em termos de espectro. Ainda mais com a nova tecnologia, que aumenta muito a eficiência espectral, permitindo colocar mais bits por hertz. Pedir mais espectro traz mais custo regulatório e investimento, e não faria sentido agora. Já a faixa de 26 GHz ainda tem o grande desafio dos terminais, que são poucos e ainda muito caros, por isso no curto prazo não deve ser explorada, mas no Rock in Rio estamos utilizando CPEs para redes Wi-Fi que operam com 5G nesta faixa, por exemplo.
Vocês estão preocupados com o crescimento de tráfego por causa da Inteligência Artificial? Como ganhar dinheiro com esse novo perfil de tráfego?
Estamos monitorando, mas ainda não assusta. O ponto de virada será quando os agentes de IA começarem a ser usuários importantes, operando 24 horas por dia, sete dias por semana, gerando tráfego de máquina para máquina. Aí vamos ver uma mudança no comportamento na rede. Mas ainda precisamos entender como podemos ganhar dinheiro nesse novo cenário de aplicações de IA.
Como foi a experiência com a Copa do Mundo via streaming? E com o TIM Play, haverá uma demanda adicional de capacidade da rede?
O streaming, como a CazéTV, foi um grande catalisador de tráfego; para se ter uma ideia, nosso consumo de Internet mais que triplicou durante os jogos, mas a rede aguentou bem. Com nossa oferta de TV é baseada em streaming, a modernização da rede passa a ser essencial para suportar o aumento de demanda.
