Quarta-feira, 2 de Setembro de 2026

45 milhões de internautas sofreram tentativas de golpes com dados pessoais

Cerca de 45 milhões de usuários de Internet com 16 anos ou mais no Brasil, o equivalente a 32% desse público, relataram ter sofrido tentativas de golpes envolvendo seus dados pessoais em 2025. Outros 20% afirmaram que chegaram a ser vítimas de fraudes desse tipo.

Os números fazem parte da terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

O levantamento mostra que o problema também alcança o núcleo familiar dos entrevistados. Entre os usuários, 39% disseram que alguém tentou aplicar golpe em uma pessoa de sua família utilizando dados pessoais de algum familiar. Outros 32% relataram que uma pessoa da família efetivamente foi vítima. Os indicadores estão detalhados no levantamento sobre situações envolvendo golpes ocorridas em 2025.

Aplicativos de mensagens lideram abordagens
As tentativas não estão concentradas em um único meio. Entre os usuários que vivenciaram tentativa ou foram vítimas de golpe com dados pessoais, 84% apontaram aplicativos de mensagens como um dos canais utilizados pelos criminosos. Ligações telefônicas aparecem em seguida, com 79%.

Sites ou aplicativos falsos e mensagens SMS foram mencionados por 71% dos entrevistados. E-mails aparecem com 69% e redes sociais, com 67%. Como a pergunta admite múltiplas respostas, os percentuais não são excludentes.

Os dados indicam também uma diferença associada aos dispositivos usados para navegar. Sites ou aplicativos falsos foram citados por 80% dos usuários que acessam a Internet exclusivamente pelo telefone celular, ante 68% daqueles que combinam celular e computador. É o único canal de golpe pesquisado cuja incidência relatada é maior entre quem utiliza somente o smartphone.

Nas demais modalidades, a relação se inverte ou apresenta pouca diferença. Aplicativos de mensagens foram apontados por 83% dos usuários exclusivos de celular e por 85% daqueles que utilizam celular e computador. Nas ligações telefônicas, os percentuais são de 75% e 81%, respectivamente.

Quase metade relata perda de dinheiro
A pesquisa também dimensionou as consequências das fraudes entre aqueles que vivenciaram tentativas ou foram vítimas. O efeito mais citado foi mal-estar ou estresse emocional, mencionado por 58%.

As perdas financeiras aparecem logo depois: 48% disseram que dinheiro próprio ou de familiares foi roubado. Outros 43% perderam acesso a contas de e-mail ou redes sociais, enquanto 42% relataram dívidas ou compras realizadas em seu nome ou no de familiares. O roubo de informações como dados bancários, números de cartões ou senhas também foi mencionado por 42%.

O levantamento mostra diferenças por escolaridade. Entre os entrevistados com até o ensino fundamental que vivenciaram essas situações, 68% relataram mal-estar ou estresse emocional, 55% apontaram roubo de dinheiro e 53% disseram ter informações bancárias, números de cartões ou senhas roubados. Entre aqueles com ensino superior, os percentuais foram de 59%, 42% e 40%, respectivamente.

Pesquisa também mede comportamento sobre privacidade
O estudo mostra que algumas práticas de gerenciamento dos próprios dados permanecem relativamente estáveis ou recuaram em relação às edições anteriores. Em 2025, 65% disseram ter lido políticas de privacidade de páginas ou aplicativos, ante 68% em 2021. A parcela que verificou a segurança de páginas ou aplicativos passou de 70% para 63% no período.

Grafico-Pesquisa-e-proteção-de-dados-pessoaisResponsáveis pelos dados pessoais nas empresas (Imagem: Nic.br)

 

Já 67% afirmaram ter recusado permissão para utilização de seus dados em publicidade personalizada. A restrição de acesso à localização geográfica foi adotada por 57%, enquanto 60% limitaram o acesso ao perfil em redes sociais. Apenas 40% solicitaram a páginas, aplicativos ou buscadores a exclusão de informações mantidas a seu respeito.

O módulo dedicado aos indivíduos tem abrangência nacional e considera usuários de Internet brasileiros com 16 anos ou mais. Foram realizadas 2.500 entrevistas online em dezembro de 2025. A estimação utiliza pesos e calibração baseados na PNAD Contínua e nas estimativas de usuários da pesquisa TIC Domicílios 2024.

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