Terça-feira, 22 de Setembro de 2026

Postes devem definir próxima década de investimentos dos provedores, diz InternetSul

As decisões que estão sendo tomadas hoje sobre o compartilhamento de postes podem definir a capacidade de investimento dos provedores de internet pelos próximos dez ou 15 anos. O alerta foi feito pela presidente da InternetSul, Raquel Camera Schwambach, durante a abertura do LinkISP 2026, nesta quinta-feira, 27, no Serra Park, em Gramado (RS).

Para ela, o setor precisa ter previsibilidade para continuar investindo em redes de fibra óptica. “Não pedimos privilégios. Pedimos condições equilibradas para continuar investindo”, afirmou. “Além dos postes, os provedores enfrentam aumento dos custos de implantação e manutenção das redes, equipamentos adquiridos em dólar, receitas em reais, novas obrigações regulatórias e a necessidade de combater a clandestinidade”, completou.

O tema foi discutido no primeiro painel do evento, que também teve a participação de Gabriel Rost, diretor de Comunicação e Marketing da InternetSul; Hermano Tercius, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações; Gustavo Borges, superintendente executivo da Anatel; e Anna Veneroso, economista e coordenadora de programas da União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Na avaliação da InternetSul, a discussão sobre postes é estratégica porque afeta diretamente a expansão das redes. Raquel defendeu diálogo com as distribuidoras, regras claras e uma regulação capaz de considerar a realidade econômica dos provedores regionais.

“Nenhum provedor resolve sozinho uma questão dessa dimensão”, disse.

Provedores no centro da infraestrutura

Os painelistas também reforçaram a importância dos ISPs na construção da infraestrutura de conectividade do país. Tercius e Raquel resgataram a atuação dos provedores, por exemplo, durante as enchentes de 2024, quando técnicos e empresários dos ISPs do Rio Grande do Sul trabalharam para restabelecer a comunicação em comunidades atingidas, mesmo enquanto enfrentavam problemas provocados pela própria tragédia. “Telecomunicações são infraestrutura essencial”, afirmou Tercius.

A conectividade, segundo Raquel, deixou de ser apenas um serviço de acesso à internet e passou a sustentar atividades econômicas e serviços públicos. “Funciona o Pix do pequeno comércio, a escola, a empresa, o agronegócio, o posto de saúde, a prefeitura, a segurança pública”, destacou.

Regulação e competição

A necessidade de segurança jurídica também foi associada pela entidade ao combate à clandestinidade. Um tema importante, segundo Borges, para que empresas que possuem outorga, recolhem tributos, licenciam suas operações e cumprem as obrigações regulatórias tenham condições de competir em um ambiente equilibrado.

“Defender quem faz certo também é defender o futuro do nosso setor”, acrescentou a presidente da InternetSul.

Diversificação vira prioridade

Além da agenda regulatória, o LinkISP colocou em discussão a transformação do modelo de negócios dos provedores. O painel “MVNO e Convergência – Como Transformar Internet Fixa em Ecossistema de Serviços” abordou a possibilidade de ampliar as receitas para além da conectividade tradicional.

O movimento ocorre em um momento em que os provedores regionais passam a incorporar serviços corporativos, cloud, segurança, IoT, inteligência artificial, data centers e outras soluções digitais.

A programação do primeiro dia incluiu ainda o painel “Fomento, Crédito e Expansão: Acesso a Crédito para os Provedores”, além das palestras de Ludio Porto Alegre, Erika Linhares, Marcus Tonin, Rogério Couto, Ronaldo Couto, Gladis Loebens, Maria Augusta Orofino e Júnior Smarzaro.

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