InternetSul: postes vão ditar próxima década de investimentos na banda larga
Para a InternetSul, entidade que representa provedores de banda larga do Rio Grande do Sul, as definições sobre o compartilhamento de postes entre os setores elétrico e de telecom devem determinar a capacidade de investimento em conectividade fixa na próxima década.
A avaliação foi feita pela presidente da entidade, Raquel Schwambach, durante o primeiro dia do LinkISP 2026, evento promovido pela InternetSul em Gramado (RS). Na ocasião, a pauta dos postes foi colocada como a principal entre diversos temas de atenção acompanhados pelos provedores.
“Temos uma reforma tributária que começa a entrar nas decisões das nossas empresas, temos novas obrigações e mudanças regulatórias, custos crescentes para construir e manter nossas redes, o desafio da segurança jurídica e o combate à clandestinidade. E temos uma questão histórica para os provedores brasileiros: os postes”, afirmou Raquel.
Segundo a dirigente, as decisões que estão sendo discutidas atualmente sobre o acesso dos ISPs à infraestrutura devem guiar a capacidade de investimento do setor pelos próximos dez ou quinze anos.
“Precisamos de diálogo com as distribuidoras e de uma regulação equilibrada, com regras claras e segurança jurídica. E precisamos, principalmente, estar presentes nas mesas onde essas decisões são tomadas”, completou a presidente da InternetSul.
Na abertura do LinkISP, o superintendente executivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Gustavo Santana Borges, destacou a campanha Poste Limpo da entidade gaúcha e também mostrou otimismo sobre uma definição para o tema ao lado da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
“Estamos trabalhando para tentar achar uma solução. Tivemos vários percalços no caminho, mas agora a Aneel anunciou que vai de fato fazer a deliberação igual a deliberação que a Anatel fez. Finalmente vamos ter uma norma conjunta aprovada para sanear o problema e trazer um novo caminho para o setor, pois essa é uma das dores muito grandes no Rio Grande do Sul e em todo o Brasil”, disse Santana.
Resposta a eventos climáticos
Ao abrir o LinkISP, a direção da InternetSul também destacou o papel exercido pelos provedores de banda larga após o impacto das enchentes que atingiram o território gaúcho em 2024.
“Quando a água subiu e grande parte do Rio Grande do Sul parou, quem estava nas cidades ajudando a restabelecer a comunicação era o provedor local”, citou Raquel Schwambach, destacando o reconhecimento da conectividade como serviço essencial.
Já o secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações (MCom), Hermano Tercius, apontou que a tragédia das enchentes motivou o governo a estruturar linha do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) destinada a situações de calamidade.
Segundo Tercius, apenas no Rio Grande do Sul foram disponibilizados R$ 322 milhões em recursos para provedores regionais a partir do fundo, alcançando 85 empresas. A modalidade também foi aplicada em outras situações críticas, como as enchentes e deslizamentos na Zona da Mata de Minas Gerais em 2026, mencionou o secretário.
