Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026

Griselli: redes de telecom precisam evoluir para a chegada da inteligência artificial

As redes de telecomunicações precisam evoluir para conseguir entregar os serviços de inteligência artificial no Brasil. Em fala no 25º Fórum Empresarial LIDE, que aconteceu nesta sexta-feira, 21, no Rio de Janeiro, Alberto Griselli, CEO da TIM e presidente da Conexis, disse que, se antes,a rede era unidirecional, ou seja, as pessoas consumiam mais do que geravam dados, agora, com a IA, a relação é bidirecional. É preciso enviar informações para depois receber os dados pedidos e tratados.

E, para que a IA prospere no Brasil, ela depende da rede. “Tudo roda em cima da nossa rede. Para nós, representa um desafio futuro relevante. Com a IA, ela muda de forma profunda”, comentou.

Para Griselli, o Brasil precisa deixar de ser um país conectado para ser um país digital.

“O próximo desafio na era da IA é passar de um Brasil conectado para um Brasil digital, para aumentar desenvolvimento, produtividade e competitividade. Isso deve acontecer com uma velocidade muito rápida”, disse.

Como exemplo, Griselli comparou a rapidez de o Netflix e o ChatGPT chegarem a 1 milhão de assinantes. Enquanto a plataforma de streaming levou três anos e meio, a IA generativa levou apenas cinco dias.

“Esse tsunami tecnológico está impactando empresas, setores econômicos, soberania nacional, e o perfil de consumo dos clientes. Ela é um grande desafio e também uma grande oportunidade. A tecnologia é condição necessária, mas não é suficiente, e esse é o grande desafio: combinar um ecossistema que permita aproveitamento da tecnologia digital para o que vem – aumento de produtividade e de crescimento”, afirmou.

Para que isso aconteça, o CEO da TIM apontou cinco aspectos essenciais para garantir crescimento sustentável que o Brasil precisa avançar para além da tecnologia:

Arcabouço jurídico regulatório. Griselli argumenta que a regulamentação de hoje foi feita anos atrás e representa uma assimetria.

“A competição é local, rede é local, mas o poder de mercado é global. Hoje, o poder de mercado está no dado, na cloud – mas que não necessariamente está no Brasil. A evolução do sistema de arcabouço regulatório é uma prioridade”, afirmou.

Previsibilidade das regras.

“Precisamos ter certeza de que as regras combinadas não vão mudar e serão cumpridas. É importante num setor de infraestrutura com elevado investimento”, comentou.

Não perder o que já foi conquistado nos últimos anos.

“Cada ano o nosso setor tem vandalismos. São 5 milhões de metros furtados a cada ano. É uma quantidade muito elevada. É um problema de serviço aos nossos clientes. 8 milhões de brasileiros são impactados pelo roubo do crime organizado que rouba a nossa infraestrutura”, exemplificou.

Sistema tributário – Griselli acredita que a Reforma Tributária será positiva para o setor, uma vez que, atualmente, a carga está em torno de 29% e isso deve reduzir. O executivo salientou que, no mundo, a média é de 12%.
Educação e formação de talentos. No Brasil se consome muita tecnologia, mas se produz pouco. O executivo citou dados de habilidade digital. Atualmente, 28% da população possui habilidades básicas – que é copiar, colar e mandar e-mail, segundo Griselli. Somente 5% têm habilidades digitais avançadas.

“Ou seja, a maior parte dos brasileiros não têm habilidade digital necessária para aproveitar tecnologias como a IA nos próximos anos”, afirmou.

“No final das contas, um país soberano é um país que certamente tem infraestrutura digital muito sólida”, encerrou sua fala.

Compartilhe: