Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026

Emnify pede regulação prévia para acesso de MVNOs às redes móveis

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deveria estabelecer condições mínimas para o acesso das operadoras móveis virtuais (MVNOs) aos insumos das redes móveis, em vez de atuar apenas depois da identificação de problemas concorrenciais. A avaliação é de Carlos Campos, diretor-geral da Emnify no Brasil e vice-presidente de Vendas para a América Latina.

Em entrevista ao Tele.Síntese durante o VI Simpósio TelComp, realizado nos dias 11 e 12 de agosto, Campos afirmou que ainda existem barreiras para o desenvolvimento de ofertas de conectividade voltadas à Internet das Coisas (IoT). Entre elas, mencionou a concentração das redes e das frequências em um número reduzido de operadoras.

“Existem barreiras. Algumas delas são criadas pela própria concentração econômica. Você tem poucos players, que são as redes que detêm as frequências”, disse. Na avaliação do executivo, as operadoras podem restringir o acesso às suas infraestruturas na tentativa de preservar o retorno sobre o capital investido.

A Emnify opera no Brasil como MVNO e utiliza principalmente a rede da Claro. Campos afirmou que as empresas mantêm uma parceria e uma integração tecnológica, mas observou que as condições de acesso aos insumos de rede não são uniformes no mercado.

“É importante esse papel do regulador de garantir que você tenha padrões mínimos, padrões coerentes de acesso a esses insumos, e que nos permitam, com um custo menor de coordenação, oferecer essas soluções para o mercado”, declarou.

Regulação antes dos conflitos
A discussão ocorre enquanto a Anatel realiza uma tomada de subsídios sobre a regulação dos serviços de comunicação máquina a máquina (M2M) e de IoT. Para Campos, o modelo regulatório deve considerar as características de aplicações que utilizam diferentes redes, tecnologias e países para manter a comunicação dos dispositivos.

O executivo também criticou a opção por uma regulação baseada predominantemente na atuação ex post, quando o regulador intervém depois da ocorrência de uma possível falha de mercado.

“A gente acredita que pode ser muito tarde você deixar para fazer algo após o fato, em uma indústria que lidera a inovação, que traz produtividade, que traz agilidade para a vida das empresas e do cidadão”, afirmou.

Campos defendeu um nível mínimo de proteção regulatória para empresas que investem em plataformas e soluções de conectividade IoT. Segundo ele, essas condições são necessárias para dar segurança aos investimentos realizados por MVNOs em tecnologia, integração de redes e desenvolvimento de serviços.

Na avaliação do executivo, as MVNOs não devem ser tratadas apenas como concorrentes das operadoras detentoras de infraestrutura. “As MVNOs são um elemento de criação de valor, de ampliação de um mercado que, sem elas, não conseguiria ser capturado”, disse.

Brasil tem baixa densidade de conexões IoT
Campos também avaliou que o Brasil ainda está atrás de mercados mais maduros quando se compara o número de dispositivos IoT conectados ao tamanho da população. Ele não apresentou números durante a entrevista, mas classificou o resultado como incompatível com a adoção brasileira de outros serviços digitais.

“O Brasil é um país muito avançado em serviços digitais e adoção de tecnologia como um todo. Mas, quando a gente olha especificamente para IoT, a resposta é que estamos um pouco atrasados”, afirmou. Como contraponto, ele citou o crescimento das MVNOs especializadas como um dos fatores que podem ampliar o segmento.

Entre as aplicações, Campos mencionou o monitoramento da temperatura de medicamentos durante o transporte, a telemetria exigida por seguradoras para cargas rodoviárias e a conectividade usada para desbloquear ou carregar veículos alugados. Em todos esses casos, sustentou, o serviço depende de comunicação contínua.

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