Domingo, 20 de Setembro de 2026

Vero prevê antecipar meta para consumo de energia renovável

A Vero prevê antecipar a meta de abastecer sua operação exclusivamente com energia proveniente de fontes renováveis, originalmente estabelecida para 2030. A operadora também prepara uma política de engajamento da cadeia de fornecedores, amplia a mensuração das emissões indiretas e revisa os compromissos de seu Plano ESG 2030.

As iniciativas foram detalhadas por Thamyris Alonso, gerente de Relações Institucionais e ESG da Vero, em entrevista ao Tele.Síntese. Segundo ela, as novas metas estão em definição e ainda precisam passar pela diretoria e pelo Conselho de Administração.

Na frente energética, a Vero encerrou 2025 com 58% do consumo proveniente de fontes renováveis, ante 31% em 2023. O avanço ocorreu principalmente por meio da contratação de geração distribuída solar. O planejamento para 2026 prevê a migração gradual para o autoconsumo remoto, a ampliação das parcerias com fazendas solares e a busca por alternativas no mercado livre de energia.

Embora a meta formal continue sendo chegar a 100% em 2030, a companhia espera alcançar antes o limite tecnicamente possível de contratação de energia renovável nas regiões onde atua.

“Muito provavelmente, no próximo ano ou, no mais tardar, em 2028, a gente já atinge essa meta”, afirmou Thamyris.

Fornecedores entram no escopo
Outro passo previsto é o aprofundamento da gestão das emissões do Escopo 3, que reúne fontes não controladas diretamente pela companhia, como bens e serviços adquiridos, viagens corporativas e deslocamentos dos colaboradores.

A Vero ampliou as categorias consideradas no inventário de 2025 e registrou 14,5 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente no Escopo 3. O aumento em relação aos levantamentos anteriores decorreu da inclusão de novas fontes na medição, e não apenas de mudanças no volume da operação.

Com uma base mais abrangente, a empresa pretende definir metas de redução e envolver fornecedores no controle das emissões. A incorporação de critérios ambientais aos processos de contratação ainda está em fase inicial.

“No início, muito provavelmente a gente vai ter muito mais um diferencial no processo de seleção do que uma exclusão propriamente dita. Empresas que estejam com esses critérios podem ganhar um ponto a mais ou sair um pouco na frente na concorrência”, explicou a executiva.

A companhia também considera que o relacionamento com a cadeia de valor será um dos critérios avaliados pelo selo de sustentabilidade da Anatel, que a empresa quer garantir quando for lançado.

Energia, equipamentos e emissões
Entre os resultados ambientais de 2025, a Vero informa ter reduzido as emissões diretas, classificadas como Escopo 1, de 2,1 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente, em 2024, para 998,3 toneladas. A operadora atribui a queda principalmente à substituição da gasolina pelo etanol na frota.

O inventário de gases de efeito estufa recebeu o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol após passar por verificação externa. Nos dois anos anteriores, a empresa havia recebido o selo prata.

A logística reversa também permanece no Plano ESG 2030. Em 2025, a Vero reaproveitou 50,4% dos equipamentos recolhidos após o cancelamento de contratos de clientes, equivalentes a 37,24 toneladas de modems e outros dispositivos reinseridos na operação. Outras 13,8 toneladas de materiais, como cobre e polímeros, foram reciclados.

A meta é reaproveitar 100% dos equipamentos recuperáveis até 2030. Thamyris classificou esse compromisso como mais difícil de antecipar do que o objetivo relacionado à energia renovável.

Escolas e diversidade
Na frente social, a Vero terminou 2025 com 269 escolas públicas conectadas gratuitamente, alcançando 161.989 estudantes. A meta de chegar a 300 instituições até 2030 já foi superada: em agosto de 2026, o programa contabilizava mais de 330 escolas beneficiadas.

A empresa também realizou em 2025 seu primeiro censo de diversidade. O levantamento será usado para estruturar políticas relacionadas à composição racial, orientação sexual, idade e presença desses grupos em cargos de liderança. Ainda não há metas aprovadas para esses recortes.

As mulheres ocupavam aproximadamente 31% das posições de liderança, enquanto representavam 39% do quadro funcional. A meta vigente é elevar a participação feminina na liderança para 40% até 2030.

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