Ministro das Comunicações cobra protagonismo da radiodifusão sobre streaming
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, cobrou nesta terça, 18, um posicionamento estratégico das empresas de radiodifusão frente ao avanço das companhias de tecnologia de streaming. Durante a abertura do SET Expo 2026, evento que acontece nesta semana em São Paulo, ele destacou que o fortalecimento do setor é uma ferramenta crucial para a manutenção da democracia, atuando na promoção do jornalismo correto, no combate às fake news e na redução da desigualdade social.
Na ocasião, o ministro também reafirmou o financiamento de US$ 500 milhões, o equivalente a cerca de R$ 2,7 bilhões, para apoiar a implantação da TV 3.0 e a modernização da infraestrutura de transmissão das emissoras no País.
O tom de convocação às empresas de mídia locais marcou o discurso de Siqueira Filho, que questionou o futuro do setor perante a concorrência digital. “Está na hora de decidir: a gente vai deixar que as plataformas digitais de streaming surfem essa onda na ampliação da infraestrutura digital, ou o setor de radiodifusão vai assumir a liderança desse papel para transformar a radiodifusão na TV conectada?”, indagou o ministro.
Alinhado a essa visão, o ministro fez uma forte defesa da soberania digital. Ele argumentou que os dados são ativos estratégicos e que o Brasil precisa ter capacidade própria para transportar, armazenar e processar suas informações em território nacional, um passo considerado vital para o desenvolvimento de inteligência artificial e para manter a competitividade da indústria audiovisual.
Para sustentar essa evolução, o ministro justificou economicamente a expansão da infraestrutura digital, especialmente na região Norte, mencionando investimentos em fibra óptica, satélites, data centers e cabos submarinos. Ele atrelou a necessidade de conectividade ao desenvolvimento de riquezas locais, citando o petróleo da margem equatorial, as terras raras em Roraima, os minerais críticos para a transição energética e o agronegócio na Amazônia.
Recursos para TV 3.0
Os recursos de R$ 2,7 bilhões reafirmados pelo governo para a TV 3.0 estão sendo estruturados junto ao Banco Mundial e ao BID. Para avançar nas negociações, o ministro informou que viajará para a Índia e, na sequência, para Tóquio, no Japão, onde cumprirá agenda com o BID para debater a infraestrutura digital brasileira.
O governo também planeja ampliar a oferta de conversores compatíveis com o novo sinal para a população de menor renda, garantindo que os usuários consigam receber a comunicação.
Com a TV 3.0, a nova tecnologia transformará o aparelho de televisão em uma plataforma interativa. “A televisão deixa de ser apenas uma tela para assistir conteúdo e passa a ser também uma porta de entrada para serviços públicos governamentais”, afirmou o ministro. Com a mudança, o cidadão poderá acessar o sistema Gov.br, o SUS digital e encontrar unidades da Farmácia Popular diretamente pela TV. A operação da plataforma comum de comunicação pública será gerida pela EBC, enquanto a Secom participará da governança e da estratégia de conteúdos disponíveis no novo ambiente.
Após o início das transmissões em caráter de teste durante a Copa do Mundo, que já aconteceram em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília, o projeto avança para a etapa de expansão em escala nacional. O ministro lembrou politicamente que, há exato um ano, havia assinado o decreto de transformação digital da TV junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Modernizar a televisão aberta não significa substituir aquilo que ela representa, significa preparar a sua televisão para o próximo capítulo. E esse próximo capítulo precisa ser digital, interativo, conectado e acessível, mas, acima de tudo, precisa continuar sendo universal e gratuito”, ressaltou o ministro ao falar sobre o futuro da comunicação no Brasil.
